Comportamento

A história de nós quatro

Adriano Justino
13/11/2006 00:10
Foram sete anos de tratamento na tentativa de engravidar. “É muito desgastante. Cria toda uma expectativa”, lembra a analista de recursos humanos Valéria Guimarães, 38 anos. Amigos, parentes e o marido Ricardo Colombo, 39, analista financeiro, sugeriram a adoção, mas ela ainda não estava certa. “A partir do momento que aceitei o meu problema, foi mais fácil encarar a adoção como opção de maternidade.”
Decidida, Valéria procurou informações na internet e chegou para a reunião na Vara da Infância já com todos os documentos necessários. Como não fez nenhum tipo de exigência, três meses depois, o casal conheceu suas filhas – as irmãs Renata, de 3 anos e Daniela, 1 ano e 8 meses (hoje com 7 e 5 anos). “Para nós, o sentimento já era de que nossas filhas estavam aí. Muitos casais costumam recusar crianças maiores e irmãos. Para nós, não foi um impedimento. Costumo dizer que eu não faria melhor, elas são tão lindas, tão independentes”, derrete-se Ricardo.
Apesar do encontro emocionante, o começo foi difícil. “A criança mais ‘velha’ testa os limites. Ela quer saber se vai ficar ali mesmo. Nós soubemos superar, mas poderia ter sido melhor se as pessoas falassem sobre as dificuldades. Nas reuniões, ninguém fala, quer contar só o lado bom, tem receio de ‘perder’ a criança. Nós contamos os problemas para nossa técnica (assistente social) e recebemos apoio. Jamais passou pela nossa cabeça arrependimento”, garante o pai.
Valéria desmistifica um dos receios comuns na adoção: “Não tenho nenhum medo da mãe biológica. Elas sabem que não nasceram da minha barriga e nunca coloco a mãe como malvada ou ruim. Até agradeço muito essa pessoa porque ela me possibilitou ser mãe”, emociona-se.