Comportamento

A nova babá eletrônica

Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
21/11/2010 02:12
Segundo uma pesquisa – realizada pelo Portal Educacional e coordenada pelo psiquiatra Jairo Bouer – 71% dos adolescentes costumam postar fotos e vídeos pessoais na internet. Ao menos 7% admitiram que as imagens eram ousadas. Os questionários foram aplicados via on-line para 10,5 mil estudantes entre 13 e 17 anos.
A pesquisa, que faz parte da sexta edição do projeto “Este jovem brasileiro”, mostrou também que 69% dos jovens creem que o anonimato da internet estimula as pessoas a ofenderem umas às outras, sendo que 31% confirmaram já ter sido vítimas de alguma forma de violência. Adam conta que já presenciou esse tipo de situação algumas vezes, e que, em pelo menos duas delas, já foi ameaçado. “Uma vez postei no Orkut um link de um vídeo que tinha uns caras do Exército dançando Lady Gaga. Logo em seguida, um amigo meu que estava no Exército começou a me ameaçar, dizendo que ia me processar e um monte de coisas. Outra vez, o namorado de uma amiga me adicionou no MSN e disse que tinha uns amigos barra-pesada que iam me pegar por eu estar dando em cima da namorada dele. Felizmente consegui desfazer o malentendido”, lembra.
Segundo a psicanalista Shirley Rialto Sesarino, professora de Psi­­cologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, os jovens passam muito tempo vulneráveis na internet por descuido dos pais. “Muitos pais estão deixando os filhos para a ‘mídia’ cuidar. Estão muito ocupados em ‘ganhar’ dinheiro para dar ‘tudo’ aos filhos e acabam por não dar um pouco de ‘presença’ e atenção. E aí não estranham que seu filho mude de tela em tela – tevê, videogame, computador – nas horas vagas dentro de casa”, afirma.
Essa distância entre pais e filhos estaria facilitando o abuso da internet por parte dos jovens, de acordo com Jairo Bouer, assim como facilita outros tipos de abuso. “Fazemos um cruzamento considerando o perfil do jovem em relação a alguns fatores que são de risco para diversos tipos de comportamento e as respostas em cada módulo da pesquisa. Assim, a gente acaba sabendo como é a relação familiar do adolescente e o rendimento na escola etc. Aqueles que têm relação difícil em casa, que consomem álcool e drogas com mais frequência são aqueles que têm mais chance de ter um excesso de uso da internet e de se expor mais”, diz.
Excesso
A mãe da estudante e modelo Meisy Gomes Okino, 14 anos, controla com rédea curta o tempo de acesso da filha na internet. Par­­ticipante de redes sociais como Twitter, Orkut, Facebook e usuária da internet para pesquisas, a adolescente conta que precisa da “supervisão” materna para não passar tempo demais conectada. “Falo com meus amigos pela internet o tempo todo. É só eu chegar da escola para ir para o computador. Aí minha mãe começa: ‘Filha, tá na hora de estudar, de tomar banho, de dormir…’” Mas ela diz que, assim como 23% dos adolescentes ouvidos na pesquisa, já passou a noite em claro para ficar navegando. Ou pelo menos tentou. “Nas férias, uma amiga foi dormir na minha casa e tivemos a ideia de virar a noite na internet. Nós mexemos em fotos, conversamos no bate-papo, participamos das redes sociais. Mas, quando eu percebi, já estava amanhecendo e nós tínhamos pegado no sono.”