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É uma equação complicada. Quase 4 mil crianças e adolescentes vivem em casas-lares e abrigos do Paraná. Desses, 10% estão disponíveis para adoção imediata, mas não se encaixam nas exigências feitas pela maioria dos candidatos a pais: são maiores de 5 anos, grupos grandes de irmãos que não são separados, grande parte é do sexo masculino, de raça negra ou parda e alguns têm problemas físicos ou mentais.
A preferência por recém-nascidos do sexo feminino, brancos e saudáveis alonga o tempo de espera dos cerca de 400 paranaenses que são candidatos a pais por adoção. Do outro lado, a demora no processo de destituição do poder familiar faz as crianças permanecerem tempo demais nos abrigos, muitas vezes perdendo a oportunidade de serem adotadas por terem ficado “velhas”. Conforme o Levantamento de Abrigos realizado pelo Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente do Paraná (Cedca), 40,7% das crianças e adolescentes vivem nos abrigos há mais de dois anos, sendo que 30% ficam entre dois e cinco anos. E 8% das crianças estão abrigadas há mais de 10 anos!
É claro que houve avanços: mudou o perfil das adoções nos últimos tempos, inclusive com o crescimento no número das adoções tardias – de crianças acima de 2 anos. Mas, como toda mudança, ela trouxe conseqüências não previstas: cresceu a “devolução” de crianças por pais despreparados, que simplesmente as abandonam mais uma vez.
A Justiça e as ONGs envolvidas no processo estão conscientes dos problemas e se organizam para evitar que as crianças cresçam nos abrigos e tentar minimizar problemas pós-adoção.
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