Comportamento

Adolescência ampliada na telona

Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo - marianab@gazetadopovo.com.br
09/05/2010 03:05
Algo que chamou a atenção de Simone foi o fato de os meninos sofrerem mais por amor do que as meninas. “Acho que isso reflete a sensibilidade masculina, que está cada vez maior.” Por outro lado, na opinião de Thais as mulheres de hoje estão mais livres, não tão dependentes dos maridos. “As adolescentes percebem essa mudança e a repetem em seu discurso”, diz a cabeleireira, citando outra vez Carol, que quer ter filhos mas não pensa em se casar. Gustavo concorda que as meninas estão tomando mais a iniciativa atualmente. “No meu tempo, uma aluna beijar o professor na boca seria um absurdo”, compara, em referência a uma cena do filme. Para Gustavo, no entanto, a banalização do afeto entre os jovens já foi maior. “Tenho notado uma valorização dos sentimentos por parte deles, que já não têm aquela euforia pelo ‘ficar’ sem compromisso, e alguns personagens do filme retrataram esse comportamento, como o Pedro, o Mano e a Carol. Hoje, o jovem banca mais as suas atitudes”, conclui o engenheiro.
Outro tema levantado pelos pais foi o bullying, violência física ou psicológica, muitas vezes praticada no ambiente escolar. Para Vera, a crueldade é uma característica marcante dos jovens atuais, mas Thais acredita que isso não é de hoje. “O bullying sempre existiu, a diferença é que agora ele é catalogado, tem um nome.” Thais, que afirma ter sido criada pela “geração paz e amor”, percebe um preconceito maior entre os adolescentes, que não toleram muito bem as diferenças.
Respeito à individualidade
Conversar sobre sexo sem ruborizar é um desafio e tanto para pais e filhos. Vera e Gustavo entendem que, apesar de haver espaço para este assunto em casa, é importante que certas vontades sejam respeitadas. “Eu sou mais tranquila, respeito o momento deles, mas sempre esperando que tenham vontade de me contar quando tiverem sua primeira experiência. Já o Gustavo (pai) é mais ansioso, fica fazendo perguntas que nosso filho às vezes responde com ‘pai, essa é a minha individualidade’”, diz Vera. Ela sente que a filha gosta mais de confidenciar sua intimidade, enquanto o filho é mais reservado. “Uma vez, quando ele estava saindo para viajar com o pessoal do colégio, eu me aproximei e lhe dei uma camisinha. Ele perguntou: ‘o que eu faço, te agradeço?’ Eu respondi: ‘não, apenas use’. E rimos juntos da situação”, lembra Vera. Thais, que engravidou aos 17 anos e foi mãe-solteira, costuma conversar sobre virgindade com a filha, de 14. “Quan­­­­do sinto que existe alguma barreira entre nós, faço questão de lembrá-la: ‘não faz tanto tempo assim que eu fui como você’, então a gente ri e sente que pode conversar abertamente sobre tudo”, conta. Mas, se Vera acredita que os meninos costumam ser mais “fechados” que as meninas quando o assunto é virgindade, Simone teve uma experiência bem diferente. “Por volta dos 15 anos, meu filho teve sua primeira relação sexual e veio me contar com muita empolgação. Já a minha filha teve mais reservas para falar e eu só fui saber depois. Em suas palavras, ela achava que eu iria ficar ‘de cara’.”