Mudar é preciso. Amar também. Só que como toda revolução, por mais necessária que seja, essa do casamento também faz as suas vítimas. Para a historiadora Ana Paula Vosne Martins, o amor saiu com algumas escoriações dessa transformação, por conta da crescente falta de comprometimento entre as partes, as relações mais irresponsáveis e voláteis. Vide o “amor para sempre” de Ronaldinho e Daniella Cicarelli.
Príncipe Charles e Diana Spencer foram ainda mais emblemáticos nessa questão. O conto de fadas se transformou num fiasco de diferenças e tristezas declaradas. Ela por nunca ter tido um amor verdadeiro e ele por ter deixado o seu verdadeiro escapar. “A princesa Diana acabou se beneficiando da questão e usou sua imagem de princesa para dar visibilidade as suas causas humanitárias. Talvez se não tivesse virado a queridinha da mídia, ela estivesse viva hoje. Enquanto isso, o príncipe Charles virou sapo. E só agora, anos depois da morte da princesa, ele assumiu seu amor com Camilla Parcker.”
Para a psicóloga e terapeuta de casais Tereza Christina Fraga Brandão, o risco da nova dinâmica das relações é o distanciamento e a perda de intimidade entre as partes. “Houve um ganho em termos de igualdade de papéis, mas as relações perderam intimidade”, comenta. Fora isso, ela aponta também para o consumismo acirrado dos novos tempos, que espalha desafios e tentações por todos os lados, tornando ainda mais difícil a manutenção de uma relação estável. “Por conta disso, é muito mais difícil manter uma relação do que antes. Há que se cultivar a cumplicidade e o interesse pelo outro para conseguir escapar dessas ciladas.” (LJ)
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