Comportamento

As casas de hoje

Adriano Justino
01/11/2009 02:05
O que era uma simples alusão à localidade da loja – que também era a moradia dos comerciantes – hoje pode ser considerado uma estratégia de marketing. Falta de criatividade ou posicionamento no mercado? Para a doutora em Arquitetura e Urbanismo Maria da Graça Santos, professora do curso de Arquitetura da Universidade Positivo, um comércio no século 21 que tenha o nome “casa-alguma-coisa”, pode ser uma boa ideia. “Ao ler o nome da loja, o cliente não tem dúvida sobre o que vai encontrar”, diz. Mas ela ressalta que a estratégia só vale a pena se o objetivo for dar ao negócio um viés tradicional e, para isso, até a localidade é fundamental. “Você escolhe se quer falar de inovação ou de tradição, se for a segunda opção, o nome casa é bem-vindo, mas só tem sentido como loja de rua, como referência à cidade antiga”, diz.
* * * * *
Paneladas (foto 1)
Há 15 anos rodava pela cidade um carro de som que dizia “SOS da panela, interne já a sua”. Era o marketing de Aparecida Helena Godoy, que consertava panelas sonhando em um dia expandir o negócio, hoje gerenciado pela filha Juliana Escarlette Nuñez. “Colocamos o nome Casa das Panelas por que eu imaginava um lugar que seria mesmo a moradia da panela, onde houvesse tudo para ela, conserto, peças e até panelas substitutas”, diz.
Casa das Panelas, Rua Erasto Gaetner, 671, lj2 fone (41) 3356-4394.
* * * * *
Mais fogões a lenha do que nunca (foto 2)
Edgar Ferreira enfrentou tempos ruins na venda de fogões a lenha, especialmente no início. Aberta em 1992, a Casa do Fogão a Lenha contou com a ajuda da imprensa para alavancar as vendas. “As pessoas tinham esquecido o fogão a lenha, até que uma matéria em uma revista de circulação nacional disse que as proteínas dos alimentos são melhor preservadas nesse tipo de fogão do que no convencional. Aí as vendas melhoraram e hoje mais ainda por que eles são comprados para o aquecimento do ambiente também”, diz. Quem diria!
Rua Coronel Luiz José Santos, 3.638, Xaxim, fone (41) 3275-7618.
* * * * *
Broas para todos os gostos (foto 3)
Depois de uma temporada de quatro anos trabalhando em uma montadora de carros no Japão, Joceli Matsue, 37 anos, chegou a Curitiba com dinheiro e vontade de investir em um negócio. Encontrou à venda a Casa das Broas e foi amor à primeira vista. Há doze anos no negócio, Joceli revela que seus clientes são pessoas mais velhas, que procuram por pães especiais, sem açúcar ou sem gordura. “O sucesso daqui é a broa mista de centeio e trigo assada em forno a lenha. Precisamos reabastecer as prateleiras três vezes por dia”, conta Joceli.