O escritor francês Honoré Balzac, que viveu no início do século 19, afirmava que as mulheres em seus 30 anos estavam no ápice da vida sexual. Hoje, o termo “balzaquiana” faz sentido também para quem chegou aos 50 em plena forma, cheia de energia para aproveitar a vida
Alcançar meio século de vida parece não amedrontar tanto as mulheres de hoje. Se antes completar 50 significava estar fadada a ficar em casa e cuidar dos netos, agora significa continuar trabalhando, estudando, se divertindo sozinha ou acompanhada e realizando projetos de vida. “Hoje, as mulheres de 50 buscam novas formas de realização, não apenas dentro de um casamento e de uma família. Satisfação profissional, amigos, lazer, cultura, viagens e muitas outras fontes de prazer. Não se limitam a um único papel que as aprisionava a um determinado modelo de corpo jovem. Uma mulher de 50 anos pode se realizar em todos estes novos – e também nos antigos – caminhos. Ela tem mais escolhas, é mais livre, independente e, portanto, muito mais feliz”, acredita Mirian Goldenberg, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora de De Perto Ninguém é Normal e Infiel: Notas de uma Antropóloga (Ed. Record).
São muitos os fatores que promoveram essa mudança de comportamento. Entre eles, Goldenberg enumera a inserção da mulher no mercado de trabalho e, conseqüentemente, a maior independência econômica feminina. Em 1970, apenas 18% das mulheres brasileiras trabalhavam. Hoje, mais da metade delas está em atividade. A lei do divórcio e a legitimação dos novos papéis da mulher na sociedade – inclusive como chefe de família – também contribuíram para esse fenômeno.
E não se pode esquecer dos avanços dos recursos médicos e estéticos. “Vivemos mais tempo e as fases – infância, adolescência, maturidade, terceira idade – têm outra duração”, lembra o psicólogo Tonio Luna.
Embora a maioria das mulheres de 50 estejam hoje mais satisfeitas e bem resolvidas, a crise da meia-idade ainda pode se abater sobre elas. Com a idade, uma série de transformações físicas e hormonais podem afetá-las. Tonio Luna explica que a fase não deve ser encarada como uma crise, e sim como um processo natural. “Vai haver perdas, mas elas precisam ser vivenciadas e não negadas.”
Para evitar ou pelo menos amenizar os efeitos deste processo, é preciso cuidar da saúde e priorizar sempre a qualidade de vida. “A mulher precisa criar um plano de como viver. A geriatria preventiva cuida do diagnóstico precoce de doenças como a osteoporose e o colesterol elevado, orienta a comer certo, praticar atividades físicas regulares e manter a aptidão cognitiva”, explica o geriatra Rubens de Fraga Junior. Mirian Goldenberg dá uma última dica:
“É preciso questionar as pressões sociais e a desvalorização da mulher existente na nossa cultura. Busque formas de realização na vida afetiva e profissional, valores mais permanentes para a própria vida e fuja dos estereótipos femininos”.
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Servico: Tonio Luna (psicólogo), fone (41) 3362-5354 / Rubens de Fraga Junior (geriatra), fone (41) 3346-4622 / Mirian Goldenberg (antropóloga), site www.miriangoldenberg.com.br.
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