Comportamento
Mas como saber qual o momento mais adequado para deixar os jovens se virarem sozinhos? Essa é uma tarefa para os pais. Segundo a psicóloga e professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Vera Regina Miranda, a liberdade que se deve dar a um jovem depende da organização da família. “A segurança ou a autonomia não é algo que se induz a alguém a partir de um momento determinado, são coisas que a criança vai aprendendo durante todo o seu desenvolvimento”, diz.
Também não se pode fazer com que uma criança assuma responsabilidades por necessidade da família ou conveniência. A pediatra e hebiatra (especialista em adolescentes) Luci Pfeiffer, responsável pelo Programa de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescentes do Hospital de Clínicas, lembra que os pais devem tomar cuidado para não dar mais responsabilidade do que os filhos podem suportar. “Abaixo de 12 anos a criança não tem condições de se proteger e tomar suas próprias decisões sempre de maneira correta. Depois disso, a maturidade de cada um vai depender da estimulação dos pais e da realidade de onde vivem”, diz.
Precaução
Ana Caroline Schimenez, 16 anos, aprendeu desde cedo a se cuidar fora de casa. Apesar de contar quase sempre com a carona dos pais ou do irmão Vinícius, 27 anos, para ir à escola e aos passeios, ela diz que segue uma série de cuidados. “Não saio sozinha à noite, não fico andando com eletrônicos e nem com mais dinheiro do que preciso. Além disso, só saio com amigos que meus pais conhecem”, conta. Mas todos os cuidados não vieram por acaso. Quando tinha 9 anos, Ana Caroline perdeu o irmão mais velho, de 21 anos. Ele aguardava a namorada em frente ao prédio dela e foi assassinado em uma tentativa de assalto. Depois da tragédia, ao invés de trancar os outros filhos em casa, os pais passaram a conversar sobre os riscos e todos ficaram mais prevenidos. “Eu e meu irmão fomos superprotegidos em alguns momentos, mas a união da nossa família aumentou bastante. Embora eu me sinta um pouco presa às vezes, compreendo que passamos por um trauma difícil”, diz.
Para o delegado Luiz Carlos de Oliveira, titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, além dos cuidados para não se tornar “alvo ambulante”, é preciso que o jovem saiba como agir no caso de ser abordado por um criminoso. “Se ele tem um boné arrancado ou um celular roubado, não deve tentar recuperá-lo. Não se deve reagir nunca”, afirma.
Serviço
Vera Regina Miranda (psicóloga), fone (41) 3332-3656 / Luci Pfeiffer (pediatra e hebiatra), fone (41) 3222-4500 / Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, (41) 3218-6100.
Colunistas
Agenda
Animal


