• O “ponto zero” de um planejamento financeiro, conforme Gustavo Cerbasi, é ter pelo menos três vezes sua renda – ou suas despesas mensais – guardados em uma aplicação financeira de liquidez imediata como margem de segurança para imprevistos. Para quem tem uma renda variável, a poupança mínima deve ser o equivalente a seis vezes o valor de suas despesas mensais, lembra o economista Mauro Halfeld.
• Depois disso, é preciso se preparar para a aposentadoria. “Hoje as pessoas se aposentam e não estão no fim da vida. É preciso se preparar para um desses três caminhos: outra carreira, montar um negócio próprio ou criar condições financeiras que permitam manter um padrão razoável de vida”, diz Cerbari.
• Para isso, não é preciso um sacrifício tão grande. Destine 10% do que você ganha a uma aplicação conservadora (poupança, fundos de renda fixa). A melhor maneira é automatizar essa aplicação. “É preciso entender que você não ganha R$ 2 mil, mas R$ 1,8 mil”, exemplifica Cerbasi. “Crie sua própria igreja e destine a ela seu dízimo. Em 30 anos, você terá uma grana boa”, garante o consultor Luis Ewald.
• Já o consultor Jurandir Sell de Macedo Junior é mais flexível. Se a poupança para a aposentadoria começa até os 30 anos, 6% da renda mensal são suficientes. De 30 a 40, 8%; de 40 a 45, 12%. A partir dessa idade, consulte um economista. A porcentagem se mantém sempre a mesma.
• Se não tiver condições de poupar a porcentagem indicada ou 10%, comece com menos.
• Esqueça esse dinheiro. Ele não é para gastos correntes. Se achar que não consegue, opte por um plano de previdência, que dificulta retiradas.
• Tente pensar em longo prazo. Se no final de um ano, seu rendimento foi pequeno, persista: pense que em três ou quatro anos, com mais dinheiro, o rendimento será mais satisfatório.
• Guardar dinheiro para o estudo dos filhos também é uma forma de tranqüilidade. Se começar cedo, 1% do que você ganha é suficiente. Depois dos 5 anos, 2 a 3%. Essa reserva permitirá que os gastos na época da faculdade sejam mais amortizados.
• Tudo isso vale para quem não tem dívidas. Não adianta poupar e pagar juros maiores que o rendimento de suas aplicações.
• Cartão de crédito é uma facilidade, não deve ser usado para financiar compras. Pague suas faturas sempre à vista, os juros do cartão são muito altos.
• O mesmo vale para o cheque especial. O limite deve ser usado apenas em emergências.
• Escolher o melhor investimento é pessoal. “Esteja atento, se envolva com o mercado e invista naquilo que se sente mais à vontade para aprender. Quem não se sente à vontade, deve investir em plano de previdência ou fundo de renda fixa. Já é um caminho para ter um patrimônio consistente em uma década”, diz Cerbari.
• Macedo ensina uma fórmula para não comprar por impulso: crie sua própria moeda. Um Fulano (use seu nome) equivale à quantidade de dinheiro que você ganha em uma hora. Antes de comprar, calcule quantos Fulanos custa o objeto e veja se vale a pena. “Assim o dinheiro ganha um significado mais concreto.”
Para os endividados
• Procure sempre trocar dívidas caras – como cheque especial e cartão de crédito – por baratas.
• Vá ao banco e negocie com o gerente um empréstimo pessoal, cujos juros são metade do valor do cheque especial ou cartão.
• Outra forma ainda mais barata é refinanciar parte de um automóvel quitado – apenas o valor necessário. Hipotecar a casa, apesar de parecer uma atitude drástica, é uma forma barata de conseguir recursos.
• Preste atenção aos seus hábitos de consumo: evite comprar em quantidade (estocar alimentos, viver com o tanque do carro cheio, aproveitar a liquidação para comprar muitas peças) se isso o fizer entrar no cheque especial.
• O mais importante: não deixe a dívida crescer, acumular. “As pessoas não se incomodam com uma situação de dívida. Começam a se importar quando está insuportável. É muito mais fácil e barato corrigir no começo do que lá na frente”, alerta Cerbari.