Comportamento
Em Curitiba, este contato acontece de forma espontânea, já que a capital é uma das cidades com a avifauna mais rica do país, com quase 400 espécies registradas. Entre os colibris, são 13 diferentes, sendo o mais comum o beija-flor-de-papo-branco, que prefere altitudes maiores. Ligeiros – podem voar 15 metros por segundo –, eles se alimentam de insetos e, principalmente, do néctar das flores.
Como estas aves pequeninas precisam visitar muitas plantas ao dia para saciar sua fome de leão, é de bom grado auxiliá-las nessa tarefa, a exemplo do empresário e paisagista Paulo Roberto Castellano. Três ou quatro vezes por dia os beija-flores fazem um tour pelo jardim de sua casa, ao lado do Parque Barigui. Mas nada de bebedouros plásticos à vista. “Cultivo várias espécies, e já notei que as preferidas dos beija-flores são o camarão, a lantana camará e a lanterna chinesa (ou lanterninha)”, enumera.
Atração
De acordo com o ornitólogo Fernando Straube, há diversos fatores que tornam uma planta mais ou menos atrativa aos colibris. “A cor é o primeiro deles, com as vermelhas, alaranjadas e amarelas liderando a preferência. Quantidade e qualidade do néctar também são levadas em conta, já que é preciso uma concentração razoável de açúcar para suprir sua necessidade energética”, explica. O formato é outro requisito importante: “Plantas com flores longas, em forma de tubo ou funil são as melhores, porque as com pétalas curtas facilitam o acesso de insetos ao líquido, diminuindo a quantidade do seu néctar”. As mais recomendadas pelo ornitólogo são hibisco, camarão-vermelho, sálvia e brinco-de-princesa. Esta última, segundo o paisagista Paulo Castellano, tem a vantagem de não exigir muito espaço, podendo ser plantada até mesmo em vasos e jardineiras na varanda do apartamento. No entanto, o engenheiro florestal da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) Pablo Hoffmann alerta para a importância de escolher plantas nativas – aquelas encontradas na própria região, cujas sementes e polén são dispersados por agentes naturais, sem a ação do homem. “Além de contribuírem para preservar a biodiversidade local, elas não introduzem alimentos novos à dieta de aves e animais, mantêm o equilíbrio ecológico e sua manutenção custa bem menos”, defende. Assim, ao invés de atrair beija-flores com uma espécie exótica como o hibisco, por exemplo, prefira as nativas lanterninhas, que também pertencem à família Malvaceae. As mudas das espécies nativas podem ser adquiridas na Sociedade Chauá, instituição voltada à conservação dos ecossistemas naturais no Paraná.
Bebedouros
É comum ouvir por aí que os bebedouros plásticos causam doenças nos beija-flores. Segundo Fernando Straube, um dos riscos é a transmissão de candidíase oral, fungo oportunista que pode passar para o bico ou a língua de aves com a imunidade baixa. Mas não deixe de oferecer o néctar caseiro por causa disso. “Diferente de espécies criadas em viveiros, as aves silvestres têm uma imunidade natural maior, e a incidência da candidíase é pequena.” Porém, ele explica que é preciso manter o bebedouro sempre limpo e a água fresca. “O cuidado com a higiene deve ser o mesmo de quem oferece a alguém um copo d’água.”
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Passo a passo
Confira as instruções e faça um bebedouro de beija-flores sem gastar quase nada:
1 – Separe uma garrafa vazia de refrigerante descartável de 500 ml e deixe-a por meia hora dentro d’água com um pouco de alvejante. Enxague bem.
2 – Esquente um prego bem fino e faça um furinho na base da garrafa.
3 – Pinte em torno do furinho com esmalte vermelho. É melhor do que enfeitá-lo com corolas e outros ornamentos, que dificultam a limpeza do tubo por onde a ave suga a solução.
4 – Pendure a garrafa com um arame em um galho de árvore, na varanda ou janela.
5 – Prepare uma solução com quatro partes de água para uma de açúcar. Não coloque nada mais do que isso.
6 – Troque a água diariamente e higienize o bebedouro frequentemente. Use uma escova de limpar mamadeira ou, se não tiver, jogue um pouco de areia grossa ou arroz dentro do recipiente com um pouco d’água e sacuda bem.
7 – Não use inseticidas ou qualquer outro produto químico para espantar abelhas ou formigas que possam aparecer, pois poderá contaminar os beija-flores.
Fonte: Centro de Estudos Ornitológicos: www.ceo.com.br
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