Comportamento

Beijos açucarados

Mariana Sanchez, especial para o Viver Bem - marianab@gazetadopovo.com.br
11/07/2010 03:18
Em Curitiba, este contato acontece de forma espontânea, já que a capital é uma das cidades com a avifauna mais rica do país, com quase 400 espécies registradas. Entre os colibris, são 13 diferentes, sendo o mais comum o beija-flor-de-papo-branco, que prefere altitudes maiores. Ligeiros – podem voar 15 metros por se­gundo –, eles se alimentam de insetos e, principalmente, do néctar das flores.
Como estas aves pequeninas precisam visitar muitas plantas ao dia para saciar sua fome de leão, é de bom grado auxiliá-las nessa tarefa, a exemplo do empresário e paisagista Paulo Roberto Cas­­tellano. Três ou quatro vezes por dia os beija-flores fazem um tour pelo jardim de sua casa, ao lado do Parque Barigui. Mas nada de bebedouros plásticos à vista. “Cultivo várias espécies, e já notei que as preferidas dos beija-flores são o camarão, a lantana camará e a lanterna chinesa (ou lanterninha)”, enumera.
Atração
De acordo com o ornitólogo Fernando Straube, há diversos fatores que tornam uma planta mais ou menos atrativa aos colibris. “A cor é o primeiro deles, com as vermelhas, alaranjadas e amarelas liderando a preferência. Quantidade e qualidade do néctar também são levadas em conta, já que é preciso uma concentração razoável de açúcar para suprir sua necessidade energética”, explica. O formato é outro requisito importante: “Plantas com flores longas, em forma de tubo ou funil são as melhores, porque as com pétalas curtas facilitam o acesso de insetos ao líquido, diminuindo a quantidade do seu néctar”. As mais recomendadas pelo ornitólogo são hibisco, camarão-vermelho, sálvia e brinco-de-princesa. Esta última, segundo o paisagista Paulo Castellano, tem a vantagem de não exigir muito espaço, podendo ser plantada até mesmo em vasos e jardineiras na varanda do apartamento. No entanto, o engenheiro florestal da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) Pablo Hoffmann alerta para a importância de escolher plantas nativas – aquelas encontradas na própria região, cujas sementes e polén são dispersados por agentes naturais, sem a ação do homem. “Além de contribuírem para preservar a biodiversidade local, elas não introduzem alimentos novos à dieta de aves e animais, mantêm o equilíbrio ecológico e sua manutenção custa bem me­­­nos”, defende. Assim, ao invés de atrair beija-flores com uma espécie exótica como o hibisco, por exemplo, prefira as nativas lanterninhas, que também pertencem à família Malvaceae. As mudas das espécies nativas podem ser adquiridas na Sociedade Chauá, instituição voltada à conservação dos ecossistemas naturais no Paraná.
Bebedouros
É comum ouvir por aí que os bebedouros plásticos causam doenças nos beija-flores. Segundo Fernando Straube, um dos riscos é a transmissão de candidíase oral, fungo oportunista que pode passar para o bico ou a língua de aves com a imunidade baixa. Mas não deixe de oferecer o néctar caseiro por causa disso. “Diferente de espécies criadas em viveiros, as aves silvestres têm uma imunidade natural maior, e a incidência da candidíase é pequena.” Porém, ele explica que é preciso manter o bebedouro sempre limpo e a água fresca. “O cuidado com a higiene deve ser o mesmo de quem oferece a alguém um copo d’água.”
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Passo a passo
Confira as instruções e faça um bebedouro de beija-flores sem gastar quase nada:
1 – Separe uma garrafa vazia de refrigerante descartável de 500 ml e deixe-a por meia hora dentro d’água com um pouco de alvejante. Enxague bem.
2 – Esquente um prego bem fino e faça um furinho na base da garrafa.
3 – Pinte em torno do furinho com esmalte vermelho. É melhor do que enfeitá-lo com corolas e outros ornamentos, que dificultam a limpeza do tubo por onde a ave suga a solução.
4 – Pendure a garrafa com um arame em um galho de árvore, na varanda ou janela.
5 – Prepare uma solução com quatro partes de água para uma de açúcar. Não coloque nada mais do que isso.
6 – Troque a água diariamente e higienize o bebedouro frequentemente. Use uma escova de limpar mamadeira ou, se não tiver, jogue um pouco de areia grossa ou arroz dentro do recipiente com um pouco d’água e sacuda bem.
7 – Não use inseticidas ou qualquer outro produto químico para espantar abelhas ou formigas que possam aparecer, pois poderá contaminar os beija-flores.
Fonte: Centro de Estudos Ornitológicos: www.ceo.com.br
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