Aos 16 anos tive que decidir entre os estudos e o esporte, pois as aulas no Colégio Marista eram em período integral, coincidindo com os horários de treinos. Naquela época, lembro que meu pai falou a seguinte frase: “Filho, se você tiver que ser jogador profissional, você será com 16, 18 ou 20 anos. Como isso não é uma certeza, é melhor você completar os seus estudos”. Eu, então, continuei estudando, jogando futsal, e pensava estar me distanciando do meu sonho. No entanto, eu continuava me destacando e, com 18 anos, recebi uma proposta de jogar profissionalmente na Itália. Com o 2° grau completo e um ano de faculdade de Educação Física, resolvi que era o momento de realizar meu sonho.
Hoje, sou lateral do time Acqua&Sapone, de Pescara, que está em primeiro lugar na série A2. No ano passado, fui artilheiro do campeonato italiano de futsal, resultado de muita dedicação: treino todos os dias em dois períodos, alterando trabalho físico e tático; aos sábados acontecem os jogos do campeonato. Domingo é meu único dia de folga.
Mesmo com as dificuldades pelo fato de o futsal não ser unanimemente considerado um esporte profissional, hoje eu vivo apenas dele. Mas sei que a carreira de atleta é curta, então não deixo de pensar em uma segunda atividade para o futuro.
O esporte é muito importante no desenvolvimento das crianças, não somente físico, como também pessoal – aprender a trabalhar em equipe e a conviver com vitorias e derrotas. Mas acredito que os pais devam incentivar seus filhos a colocar o estudo como prioridade, ajudando-os a conciliá-lo com o esporte. Jogar futebol é o sonho de quase todo menino, mas a carreira é bem concorrida. Se é o sonho mesmo, insisto que a criança vá atrás, que não desanime com os nãos, mas, sim, use-os como aprendizado. Caso não dê certo, tendo o estudo, nenhuma porta terá sido fechada.
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