Com a separação, veio o aluguel e a pensão para os filhos. Contas inesperadas que fizeram o analista de planejamento Irio Laube, 48 anos, entrar no vermelho. Novo casamento, mais três filhas – Letícia, Larissa e Vanessa, que nasceram em meio ao tumulto financeiro dos pais – e as dívidas foram crescendo. “Quebrou minhas pernas, tive que pegar financiamento de tudo que é lugar.”
Isso incluía cheque especial, cartão de crédito, empréstimo bancário, com amigos e financeiras. “Recorri a tudo que era possível. Nos dias de pagamento, duas vezes por mês, saía à caça de dinheiro, recorria a novos empréstimos para sanar os antigos.” Irio e a mulher, a agente de saúde Maria José Camargo, 43 anos, viram a bola de neve das dívidas crescer entre os anos 2000 e 2005. “Chegamos a dever R$ 20 mil e pagar juros de 15%. Nossos nomes foram para o SPC. Era um desespero. Eu chegava à tarde em casa, me fechava no quarto, pegava minha planilha e ficava estudando uma forma de sair do atoleiro.”
De tanto pensar, as soluções foram aparecendo. Irio fez um empréstimo pessoal no banco, a juros mais baixos para quitar a dívida com os cartões de crédito. A casa que disputava na Justiça foi doada à ex-mulher para que o analista pudesse liberar seu FGTS e comprar uma casa com financiamento menor que o valor do aluguel. “Decidimos usar todo o dinheiro que entreva para pagar a casa – a custa de muita hora-extra –, comer e, com o restante, pagar o que desse das dívidas.” Renegociar as dívidas também ajudou. “A última que renegociei, de R$ 8 mil, consegui baixar para R$ 5 mil e dividir em 20 vezes. Também teve uma financeira que me propôs pagar R$ 1,2 mil para quitar R$ 11 mil. Aproveitamos.”
Hoje a família continua com empréstimos – “controláveis”, diz Irio – ainda remanescentes da época. A planilha iniciada nos anos de sufoco continua ajudando a controlar as despesas. “Registro os gastos em um caderno e tenho a previsão de gastos, dívidas e datas de pagamento projetados para oito meses”, descreve.
O alívio já possibilitou a realização de sonhos: o casal trocou de carro há três anos, comprou uma tevê de 29 polegadas em 10 vezes e, nas férias de janeiro, “se deu ao luxo” de visitar o Beto Carreiro com as filhas. Cada uma das meninas conta com um plano de previdência – quando chegarem à faculdade, terão metade da prestação de um bom curso garantido. “Nesse momento não cabe no meu orçamento uma poupança para minha aposentadoria, mas não posso deixar minhas filhas na mão”, diz o pai.
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