Comportamento

Cinderela moderna

Érika Busani
18/07/2005 00:02
O país parado, os olhos grudados na tevê, torcendo, vibrando, reclamando da decisão do juiz, comemorando. Quem tem menos de 30 anos pode ter ouvido falar, mas não imagina a comoção nacional que os concursos de miss causavam nos anos 50 e 60, competindo de igual para igual com o futebol. “Era lindo! O concurso era um evento em cada cidade do país”, conta Tita Bastos, primeira modelo profissional de Curitiba, que por 18 anos organizou o Miss Paraná.
Toda a platéia, porém, não resistiu ao tempo. “Nos anos 70, o concurso entrou em crise. Era brega, ninguém se candidatava porque a mulher da época não aceitava mais o padrão de boa moça para se casar”, afirma o ator George Sada, um dos organizadores do Miss Paraná e aficcionado pelo mundo das cinderelas de carne e osso desde que viu, aos 6 anos, a Miss 1969 Vera Fischer desfilar de coroa e faixa pelas ruas da cidade natal de Blumenau (SC). Nos anos 80 as coisas pioraram com o caráter de programa de auditório que o concurso assumiu nas mãos de Silvio Santos e na década de 90, quase não se ouvia falar das “rainhas da beleza”.
Em pleno século 21, os organizadores do Miss Brasil tentam resgatar o glamour do passado e, por sorte ou golpe de marketing, são ajudados por candidatas que se destacam na mídia como Juliana Borges (RS, 2001), que fez 19 cirurgias plásticas para participar do concurso; Joseane Oliveira (RS), que participou do Big Brother Brasil 3 e perdeu o título quando os organizadores descobriram, pela imprensa, que era casada. E, claro, a paranaense Grazielli Massafera, que não conquistou o título no Miss Brasil, e sim o país ao mostrar sua simplicidade no mesmo programa que derrubou Joseane.
Para a atual organizadora do Miss Brasil, Nayla Micheriff, que ganhou o título em 97, após Pelé e Senna, o país precisa de ídolos e as misses podem preencher esse espaço. “Quem são nossos ídolos hoje? O Ronaldinho não é um modelo de comportamento.” Apostar na escolaridade – este ano quase todas eram universitárias e muitas falavam mais de um idioma – e na capacidade de representar bem o país são os caminhos que Nayla e o sócio Boanerjes Gaeta Junior imaginam levar à revitalização do evento. As misses e os “missólogos” – nome dado aos aficcionados pelos concursos – agradecem.