Isso já seria motivo suficiente para você procurar consumir itens com menos invólucros. O outro motivo é que, comprando-se a granel, o desperdício tende a diminuir.
Osvaldo Vieira, 84 anos, proprietário da Banca do Osvaldo, há 51 anos instalada no Mercado Municipal de Curitiba, diz que o consumidor de produtos a granel busca qualidade e variedade. “Ele quer ver o conteúdo do que está comprando.” A professora universitária Ida Gubert, 57 anos, que há 20 anos compra no Mercado, concorda: “Eu compro pouquíssima quantidade de alimento. Dificilmente cozinho em casa. Quando eu compro arroz, por exemplo, compro cerca de 150 g. Sem falar que a qualidade não tem erro”.
Por questões sociais distintas, países como Paraguai e Itália já adotaram novas formas de consumo dentro das grandes redes de supermercados. No país vizinho, a crise econômica popularizou a venda a granel na tentativa de tornar os preços mais viáveis, permitir que o consumidor compre apenas o que irá consumir e gerar mais emprego (pois é necessário que se coloque funcionários operando as balanças).
Já na Itália, outros foram os motivos: as exigências de públicos específicos (famílias muito grandes e solteiros) e a consciência da necessidade de reduzir o número de embalagens plásticas. Nestes países, produtos como cereais, macarrão e até produtos de limpeza são comercializados sem nenhuma embalagem e na quantidade desejada pelo consumidor.
Sussumu Honda, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), considera que a venda a granel não é a única medida para promover um consumo consciente, que economize embalagens e evite o desperdício. “Em muitos mercados já existem as chamadas caixas verdes, onde se pode depositar as embalagens desnecessárias. O ideal seria a produção de produtos mais concentrados, que gerassem menos embalagens. Outra possível medida seria a volta ao uso de embalagens retornáveis.”
O presidente da Abras ainda afirma que a venda a granel (de todos as categorias de produtos, inclusive de saneantes) em supermercados não é um benefício em termos de segurança. No Brasil, a venda de produtos de limpeza sem embalagem de fábrica não é permitida. “Itens da categoria de saneantes são de alto risco. O manuseio indevido destes produtos pode causar vários problemas”, informa a Anvisa, com base na resolução que regulariza a venda fracionada de produtos de higiene, limpeza e cosméticos.
Cosméticos também podem ser comercializados a granel, desde que respeitando a resolução da Anvisa. Os cosméticos de uso adulto, como perfumes e similares, sabonetes, sais de banho, xampu e condicionadores têm permissão para serem comercializados de forma fracionada. Porém, o comerciante deve respeitar várias cláusulas. Sempre que o cliente for à loja comprar uma quantidade de algum destes produtos, deverá receber uma embalagem nova (a qual deve ser enviada pelo fabricante à loja, com indicação de lote, data de validade e fabricação). Pela ótica da economia de embalagens, a determinação da vigilância sanitária não traz uma solução. Mesmo assim, mantém-se a liberdade do cliente em levar a quantidade que deseja.
A inglesa Lush é conhecida por produzir cosméticos de forma consciente: não testa produtos em animais e evita o uso de embalagens – sabonetes são pesados e vendidos aos pedaços, por exemplo. A marca não está presente no Brasil, mas por aqui há lojas com sistema semelhante de vendas como a Empório Body Store.
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