O levantamento também aponta as pessoas que moram sozinhas como as que mais compram alimentos: são 560,68 quilos de comida por ano, contra 324,53 dos casais com filhos e 309,4 das mulheres sem cônjuges e com filhos. Isso dá 1,5 quilo de comida por dia, 50% a mais que a quantidade considerada “sempre suficiente” pela avaliação dos entrevistados, que é, na média, de um quilo por dia.
Por que pessoas que moram sozinhas acabam consumindo – e gastando – mais que famílias? Levamos um solteiro de classe média e uma dona de casa da classe c para fazer compras no supermercado, acompanhados pelo coordenador de Economia do UnicenP, Antonio Fernando Zanatta, para investigar os motivos. A partir do dado de que 85% das famílias encontram algum grau de dificuldade para chegar ao final do mês com seu rendimento, procuramos dicas de como equilibrar o orçamento gastando menos com quem entende do assunto: economistas e donas de casa
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É fácil imaginar a continuação dessa história com muito aperto, falta de comida na mesa e dívidas. Mas não é assim: dona Marlene é a referência de economia dos parentes, faz questão de pagar suas contas todas adiantadas e nunca gasta mais que pode. “Tiro produtos para meus filhos no meu cartão. Antes de chegar a data, já vou buscar o dinheiro. Gosto de tudo certinho.”
Já o nosso solteiro Julio K. gastou seus R$ 167 em comida pronta, condimentos (mostarda, ketchup, maionese), laticínios, cereais e salgadinhos. “Em casa, vou pelo mais prático. Quando como fora, opto pelo saudável para dar uma equilibrada”, diz Julio. A mesma fórmula ele usa para os produtos de higiene: pasta de dentes, xampu e sabonete entram no carrinho aos pares. “Pelo meu gosto, usaria só o mais caro. Como não dá, alterno com o mais barato.”
Esse é um dos primeiros “pecados” do produtor de moda observados pelo economista. “Ele se preocupa com a aparência, que é importante para sua sociabilidade. Identifica um valor nisso.”
Mas não é só a vaidade que pesa no bolso de Julio. Assim como os outros 4 milhões de solteiros brasileiros, ele direciona seu consumo para alimentos prontos e semi-prontos – mais caros. Uma pesquisa desenvolvida pela Toledo e Associados em conjunto com a ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing – aponta que 42% do público single no Brasil consome de duas a três vezes por semana este tipo de alimento e 33%, pelo menos uma vez por semana.
“Além da praticidade, a qualidade é outro fator relevante ao consumo deste perfil. Eles não necessitam comprar poucos produtos em grandes quantidades, portanto gastam parte do orçamento disponível para produtos mais caros, quando há o reconhecimento do valor percebido”, analisa Zanatta.
Nem sempre os sozinhos encontram alimentos em tamanho e quantidade adequada ao seu consumo por refeição. “Muitas marcas já disponibilizam produtos adequados para o consumo de uma única pessoa. Entretanto, a rede de distribuição não está plenamente adaptada para atender este perfil de consumidor”, diz o economista. Julio sabe disso e compra em um mercado que atende essa necessidade.
Por último, Zanatta aponta a participação do custo da embalagem e de logística de distribuição que compõem o custo final: “Em alguns casos uma quantidade menor tem um preço por quilo mais alto que uma quantidade maior do mesmo produto”. (EB)
erikab@gazetadopovo.com.br
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