O ano era 1978 e o sonho de princesa começou a ser abalado pela mulher moderna e independente. A mineira Suzana Araujo dos Reis recebe o cetro e a coroa em Brasília em um dos últimos concursos com casa cheia e torcida fervorosa. Casada há 25 anos, com três filhos, Suzana hoje é contadora em Leopoldina (MG) e presidente da regional do Comitê Feminino do PDT/MG e nos concedeu a seguinte entrevista por e-mail.
Viver Bem – Quais eram seus sonhos na época do concurso?
Suzana Araujo dos Reis – O mesmo das outras meninas. Eu me via ali desfilando, sonhava em ser miss e viajar pelo mundo.
– Que benefícios o título trouxe a você?
– Viajei pelo Brasil, conheci pessoas e fiz amizades que conservo até hoje. Fiz também uma fotonovela, da Janete Clair (revista Carinho), em 1979. A fama de Miss Brasil, aliada a minha competência, também ajudou muito na minha profissão.
– Como você vê a evolução dos concursos de miss?
– O concurso passou por uma fase sem grande repercussão. Hoje, o encanto está voltando.
– Como eram os concursos na sua época?
– Era um acontecimento máximo, perdendo apenas para a Copa do Mundo. Tive um apoio enorme dos mineiros, que empunharam a bandeira com meu rosto estampado e os dizeres: “Ipatinga, Aço e Beleza”. Minas Gerais parou naquele 8 de julho de 1978. O carinho das pessoas foi algo inesquecível, me emociono quando lembro.
– Você acha que os sonhos das meninas mudaram?
– Mudaram nada, no fundo as meninas sonham com essa noite de Cinderela. O que mudou foi a oportunidade de se lançarem na carreira artística com mais facilidade. A mídia contribui muito e os canais de tevê já perceberam que a simpatia e a beleza de uma miss são naturais e querem tê-las no seu elenco.
– Hoje, você aconselharia alguém a disputar um concurso?
– Com toda certeza. E mais, digo às meninas que esse título é eterno e que elas precisam ter altivez para sustentá-lo. É uma honra representar uma cidade e o nosso país. Estou incentivando minha filha a concorrer em 2006. (EB)
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