Comportamento

Do desespero à serenidade

Adriano Justino
26/07/2009 03:06
Foi arrasada que *Margot entrou, por recomendação de sua terapeuta, em uma reunião do grupo das Mulheres que Amam Demais Anônimas (Mada), no Rio de Janeiro. “Cheguei quebrada emocional e fisicamente, e com a autoestima nos pés. Tentava sair de uma relação de sofrimento e não conseguia.” No Mada, Margot finalmente percebeu que o problema era com ela. “Começava aí minha recuperação. Nas primeiras reuniões só falava no meu homem. Com a ajuda das companheiras, dos depoimentos, da literatura, comecei a falar de mim. Consegui perceber que havia uma pessoa que precisava de atenção, de amor, de cuidados e de tempo: eu.”
Em 2001, para dar continui­dade ao tratamento e também ajudar outras mulheres, Margot fundou o grupo em Curi­­ti­ba, inspirado no Programa de 12 Passos dos Alcoólicos Anô­­nimos. De lá para cá, os desafios foram muitos: ela enfrentou mais um final de relação, dificuldades com o filho e com o trabalho e até superou um câncer. Margot diz que nun­­­ca pensou em sair da coordenação do Mada, mesmo com a dificuldade que é fazer com que as participantes encontrem a força de vontade para mudar. “Muitas mulheres desistem. O processo exige mudanças radicais de comportamento e isso é doloroso. Mas o programa não é para quem precisa e sim para quem quer”, diz. E sempre que alguma dificuldade aparece é compensada ao ver a recuperação de alguém que também estava arrasada. “Falar para mulheres que pensam que estão loucas e ver um fio de esperança em seus olhos, é memorável. Assim como minha celebração diária de uma vida razoavelmente serena e satisfeita”, diz.
*Nome fictício a pedido da entrevistada.
Serviço:
Grupo MADA
Igreja Bom Jesus, Rua 24 de Maio, 95.
Reuniões aos sábados, das 17 às 19 horas, na sala térrea, e às quartas, das 19 às 21 horas, na sala 15. Fone (41) 33437884, e-mail grupomadacuritiba@uol.com.br e site www.grupomada.com.br.