Nome: Auro Ottoni
Idade: 40
Tempo de profissão: 20 anos
Cliente: Emerson Villela Bezerra, 29 anos, corretor de seguros
Onde atende: Torriton Taunay Hair n’ Care, Presidente Taunay, 321
Ele tem mais mulheres entre seus clientes, mas corta muito cabelo masculino porque elas – as noivas, esposas, mães, amigas – indicam seus serviços. “A relação com a mulher é mais estreita, os homens são mais fechados. Elas já chegam aqui no primeiro dia falando da vida, dos problemas.”
Auro conta que os homens costumam ter vergonha de chegar e dizer “quero cortar com você”. “Tenho um cliente que a esposa trouxe até a sexta visita. Só depois ele começou a ligar e marcar.”
Em compensação, eles são mais “fiéis” aos cabeleireiros que elas. “Quando o profissional acerta, eles não querem mudar nunca.” Também são mais impacientes, querem ser atendidos rapidamente e não gostam de se submeter a procedimentos químicos na frente de todo mundo.
Na hora da conversa, Auro acha que os homens são mais reservados. “Não falam de nada muito íntimo.” Apesar de mais formal, a relação com eles também inclui alguns conselhos. “Indico tudo para meus clientes: restaurantes, hotéis, academia, salão em outras cidades, massagista, podóloga…”
Ele por ele
Quando veio do Rio de Janeiro, Emerson foi até o Auro por indicação, claro. E não mudou mais. “Chego lá e o cara conhece meu cabelo, não vai mudar. Se mudar, vai ser dentro do que eu gosto, ele sabe o que vai combinar, o meu estilo, se tem ou não redemoinho.” Ele é fiel, mas a namorada que o indicou, nem tanto. “Ela gosta de mudar”, conta.
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Visual moderno já assustou clientes
Nome: Paulinho
Idade: 21
Tempo de profissão: 6 anos
Cliente: Gabriela Manfredini, 20 anos, estudante
Onde atende: Stylo Hair, Rua Gutenberg, 205
A primeira impressão é causada pelo modo de vestir, os alargadores nas orelhas, as tatuagens – são 17 ou 18, ele parou de contar. “Várias vezes a cliente olhou para mim e desistiu. Já teve uma que chegou a lavar os cabelos, sentar na cadeira e dizer que não queria mais”, ri.
Ele acha que o maior problema é a idade. “As clientes mais velhas vêm por indicação. Quando perguntam minha idade, percebo que rola uma insegurança, mas aos poucos vão pegando confiança.”
Há dois anos em Curitiba, seu público é mais o alternativo, mas adora atender senhoras também. “Me divirto com elas, tem uma troca interessante.”
Paulinho tem a sensibilidade de perceber quando a mulher está em um momento ruim. “Quando termina um relacionamento, a primeira coisa que faz é mudar o cabelo. E aí tem de ter muito cuidado. Às vezes, no inconsciente, ela não quer mudar.”
Ele por ela
“Não gosto de cabelo comum. Já freqüentava o salão, vi o trabalho do Paulinho, resolvi experimentar e ele acertou.” Tímida, Gabriela não é de contar muito da vida pessoal, mas diz ter muitos assuntos em comum com o cabeleireiro.
“Falamos muito de cultura. De filmes, literatura, viagens…” Os dois inclusive planejam encontrar-se na Europa, onde ele vai fazer um curso que ganhou.
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Mãe moicana, amiga camaleoa e cliente-vovó
Nome: Lucas Gipiela
Idade: 21
Tempo de profissão: 6 anos
Clientes: Danusia Zeglin Claudino, 66, aposentada e Maria Maria Fernanda Menezes, 23, piercer
Onde atende: Boza Elegance Hair, R. Irmãs Paulinas, 5.359, Capão Raso
O menino que testava suas novas idéias na cabeça da mãe – que já ostentou até um moicano – hoje trabalha no salão da tia. “Do bairro não saio mais, não compensa. No centro, é muita concorrência e as clientes daqui não vão até lá. Prefiro essa coisa familiar.” Meninas modernas são a maioria de suas clientes, mas há mulheres de todas as idades e estilos. “Às vezes algumas se assustam com o visual, falam que eu corto demais, chegam com medo. Depois relaxam, acho que vai do atendimento.”
Ele por elas
O visual não impede que Lucas tenha entre suas clientes senhoras como dona Danusia. “Tenho o Lucas como se fosse meu neto. Quando ele põe a mão no cabelo da gente, fica diferente”, garante ela, que diz nunca ter se assustado com a aparência moderna do Lucas. “Eu o vi crescer e para mim foi normal ver as transformações. Acostumei com esse jeito sempre meio louquinho dele.” A não ser pelo piercing no nariz. “Pedi pra ele tirar porque eu passava mal”, conta. “Não tirei, mas recolhi o piercing em respeito a ela”, diz o rapaz.
Com Maria Fernanda, a relação é também de amizade. Os dois têm amigos em comum e saem juntos sempre. O que aumenta a confiança no profissional.“Chego aqui e falo ‘faça’. Confio totalmente nele”, diz a piercer, que gosta de mudar o visual a cada dois meses ou quando algo está errado. “Acho que toda mulher quer mudar quando não está bem.”