Comportamento

Entre a moda e a correção

Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo
02/05/2010 03:11
Do ponto de vista dos direitos dos animais, tanto couro quanto pele representam um problema. A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, da Unesco, diz que nenhum animal deve ser maltratado. Infelizmente, sustentar uma indústria que utiliza o animal como matéria-prima vai contra este princípio. Para organizações como o PETA (People for the Ethical Treat­­­ment of Animals – Grupo pelo Tratamento Ético de Animais) qualquer atividade que agrida de alguma forma o animal é desumana e criminosa. Os processos que envolvem o corte do pelo do animal, como é o caso de alpacas e ovelhas, também estão na lista negra do PETA. Este procedimento não mata o bicho, mas pode machucá-lo.
O estilista curitibano Roberto Arad acredita que o retorno das peles não ganhará adeptos no Brasil. “Essa moda não faz parte da realidade de pessoas que vivem em clima tropical.” Em compensação, ele aposta na adesão das brasileiras ao uso do couro e dos tecidos sintéticos que o imitem, como o vinil. Para ele, o couro é menos problemático que a pele. “O couro do boi vai ser utilizado para fazer uma roupa, mas a carne deste animal virará alimento. É diferente da pele, que sempre resultará em um cadáver.”
A WSPA (World Society for the Protection of Animals – Socie­­­dade Mundial de Proteção Ani­­­mal), a maior federação de organizações de bem-estar animal do mundo, é totalmente contra o uso de animais para a produção de cosméticos, entretenimento, estudos e confecção de artigos de moda. Bernardo Torrico, gerente de comunicação da WSPA, afirma por telefone que a indústria precisa entender que usar pele de animal como vestimenta é algo desnecessário. Arad complementa: “O casaco de pele é símbolo de uma época que já passou. Hoje, não faz sentido continuar usando este tipo de roupa.”
As opções artificiais têm sido o caminho encontrado para saciar a vontade dos apreciadores deste estilo. A pele sintética é uma solução viável. Mas Torrico sugere uma “etiqueta” mais visível nestas roupas, explicitando que elas não foram feitas de animais. Já para Arad, o sintético até pode amenizar a questão da sobrevivência destes bichos, mas adverte: “Os materiais sintéticos costumam não ser renováveis. Sendo assim, o meio ambiente paga por isso”.
Legislação
Atualmente, o Brasil depende da iniciativa de ONGs e ativistas nesta temática, já que a legislação do país não é representativa. O que existe na lei brasileira são proibições contra o comércio de pele de anfíbios e répteis. Não há nada com relação aos outros animais, como coelhos e chinchilas – bastante utilizados na indústria de peles.
Em setembro de 2009, o deputado Ricardo Tripoli de São Paulo propôs o Projeto de Lei 5956/2009 que proíbe o abate de chinchila para o comércio de peles no Brasil. O deputado defende que a vida de pequenos animais não pode ser sacrificada para simplesmente satisfazer a vaidade humana. Este projeto ainda está tramitando.
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http://www.peta.org/
http://www.wspabrasil.org/
Doação de casacos para o PETA http://www.furisdead.com/donate.asp