Comportamento

Futebol de primeira

Adriano Justino
19/10/2008 03:00
Roderley Ferreira, técnico bi-campeão da seleção brasileira para cegos, diz que o treinamento dos paraatletas é igual ao dos atletas profissionais. “É esse profissionalismo que faz a diferença. Eu os treino e eles se viram para escutar, correr pelo campo e reproduzir ali os desafios da vida normal. Eu me espantava mais, mas agora já me acostumei com tanta eficiência. Para se ter uma idéia, são eles quem arrumam o meu computador…”, diz.
O contato próximo fez com que Roderley aprendesse a lidar com seus atletas com uma naturalidade que faria os politicamente-corretos se arrepiar. “Fica todo mundo cheio de dedos, falando termos corretos, mas o que deveria acontecer é a inclusão desde a base. As nossas crianças precisam olhar pra eles e entender que são diferentes, mas tão capazes quanto quem enxerga. E, por outro lado, os próprios deficientes precisam se desenvolver desde cedo. Isso vale para o esporte, que hoje pode ser considerado por eles como uma profissão.” Por que não? (LJ)

Confederação Brasileira de Desportos para Cegos, site www.cbdec.org.br.
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Cães-guia (Foto 3)
Adestrador de cães há dez anos, Erik Luis Cabral Mantovani Pinto está iniciando em Curitiba o treinamento de cães-guia. Para quem não se vira bem com a bengala, o animal é uma boa opção. Além de ajudar na locomoção, ele pode, por exemplo, identificar produtos no supermercado pelo comando da voz. O adestramento é caro – custa em média R$ 30 mil. Por isso, a Adevipar está lançando a campanha de patrocinadores para o treinamento. Quem quiser ajudar pode ligar para a Adevipar.
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Apaixonado pela voz (Foto 1)
Se pudesse escolher uma só coisa para ver, o professor e advogado Luiz Cesar Trevisan, 40 anos, optaria pelos livros. A filha Bruna, de quem tem a guarda desde que a menina tinha três anos de idade, ele diz ver com o coração. A esposa, bem, por esta ele se apaixonou pela voz. Divertido e despachado, Luiz Cesar não se faz de rogado quando o assunto é intimidade. Para ele, a beleza está na voz – é ela que substitui o visual no padrão de beleza – e o restante fica para ser conferido com a opinião dos amigos. Quando a dona da voz se aproxima – ou melhor, se aproximava, afinal, Luiz está muito bem casado –, um novo desafio se inicia: “O cego desperta principalmente nas mulheres um instinto de maternidade. Elas querem cuidar, evitar que você se bata, mas não o vêem como homem. Parece que quando você perde os olhos perde também a sexualidade”.
Mas se a dona da voz resolver ultrapassar a barreira da “benevolência” e engatar um namoro, Luiz lembra que há ainda o osbtáculo da família da moça. “Pense, você marca de à casa dela para ser apresentado oficialmente aos pais, se perde na rua, um vizinho ajuda e berra lá da frente. O pai da moça vem piedoso acolhê-lo. Isso até saber que você é o pretenso namorado da sua filha. Não preciso dizer que são poucos os namoros que sobrevivem”, brinca. (LJ)