“Uma história pungente com um fim sentimental.” Com essa frase, o doutor de lingüística Nilson Lage, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, resume a história de mulheres conhecidas, que em comum tiveram a fama, casos de amor, força e sofrimento. Para ele, as grandes histórias são reduntantes e contam com ingredientes parecidos. “É como a fórmula de um best seller: 5% de novidades e o restante é conteúdo conhecido e aprovado”, explica. Isso vale também, de acordo com ele, para os mitos.
Para a historiadora da moda Daniela Nogueira, “as pessoas buscam constantes referências e inspirações. Hoje, onde impera o individualismo, ainda vemos a busca por ídolos para servir de inspiração”. “Ao levar esta busca para o campo da moda, as mulheres, mais consumidoras do que os homens, estão sempre se espelhando em algo que gostariam ser. A mídia, acaba por propiciar isto, a medida que elege inspirações para todos os tipos. Grace Kelly reflete um perfil mais romântico e feminino; Marlyn traz a idéia da sensualidade; Jackie Kennedy a de elegância; e Diana mostrou força.” Segundo ela, estes aspectos são amplamente difundidos pelo vestuário. “Os estilistas procuram estabelecer um diálogo com estes ícones e voltam sua moda a este perfil de mulher – da alta costura, passando pelo prêt-à-porter até o consumo de massa.”
• Lady Di assistiu deprimida à derrocada do seu sonho romântico, sofreu de bulimia, enfrentou as traições do marido Charles e se submeteu à opinião pública ao assumir suas relações extra-conjugais. Em meio à tristeza, dedicava-se aos filhos e às causas sociais. Um ano após a separação oficial, Diana morreu em companhia do namorado Dodi Al-Fayed perseguida por paparazzi.
• Para o estilista Givenchy, Audrey Hepburn era um ideal de elegância e uma inspiração. A atriz, que ficou conhecida por Bonequinha de Luxo, entre outros filmes, teve uma carreira de sucesso no cinema, mas largou tudo após o nascimento dos filhos. Ela teve dois casamentos fracassados e viveu uma história de amor com o ator William Holden, que era casado na época. Ao final da vida, nomeada embaixatriz da Unicef, trabalhou como voluntária para causas infantis. Faleceu aos 64 anos, de câncer no útero.
• Jackie Kennedy foi a esposa do presidente norte-americano John F. Kennedy e primeira-dama dos Estados Unidos entre 1961 e 1963. Ela estava junto de Kennedy quando o presidente foi assassinado num desfile em carro aberto. Seu segundo marido foi o magnata Aristóteles Onassis. Jackie Kennedy tornou-se mundialmente conhecida como símbolo de elegância, beleza e glamour. Ela morreu de câncer linfático aos 64 anos.
• Grace Kelly foi do papel de atriz preferida de Alfred Hitchcock ao de princesa de Mônaco. Ela se casou com o príncipe Rainier III e teve três filhos. Morreu em um acidente de carro, após sofrer um derrame cerebral aos 52 anos.
• Marilyn Monroe foi um dos principais ícones de sensualidade e popularidade do século 20. Fazendo um gênero falsa-ingênua, a atriz colecionou maridos e uma carreira de altos e baixos. Ela morreu aos 36 anos, em decorrência de uma overdose de drogas e remédios.
À caça de novas divas
Por enquanto, o papel de diva do século 21 está vago. Para o professor e lingüista Nilson Lage, as top models tentam ocupar o papel que foi de Diana no século passado. “De certa forma, elas fazem parte desse mundo. São lindas, longilíneas, submetidas a sacrifícios físicos e de vida breve”, diz. Nenhuma, contudo, com tanta projeção. Com a ajuda dos especialistas em mitos e personalidades, relacionamos alguns nomes. Quem você acha que tem potencial para ocupar o posto da princesa de Gales?
• Madonna – Personagens construídos, artificiais, de forte e falso erotismo, são a tendência do novo século. É assim com Michael Jackson e Madonna, cita o professor Nilson Lage: passam a idéia de androgenia e da violência indireta.
• Britney Spears – “Lendo uma dessas frases em revistas semanais, me deparei com a seguinte sentença dela: ‘Eu tropeço, arroto e solto pum’. Será que não é um pedido de socorro da mulher por trás da estrela pop?”, questiona o psicoterapeuta Dionisio Banaszewski.
• Hillary Clinton – Na mesma linha da Senhora Calheiros, ela faz parte das “heroínas maternas”, que perdoam tudo, até as escapadas do marido. E, no fim, usam a história para projeção própria.
Serviço: Dionisio Banaszewski (psicoterapeuta), fone (41) 3264-2161/ Daniela Nogueira (professora de história da moda e fundamentos psicossociais da moda) , e-mail dgnogueira@hotmail.com
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