As dificuldades para mexer nos programas são naturais e não devem atrapalhar a decisão de dominar o computador. “É claro que os jovens têm mais facilidade de lidar com os botões e os idosos demoram para chegar no mesmo resultado. Mas o insistir, com paciência, é algo que ajuda na auto-estima e na sociabilidade”, afirma o geriatra Luiz Antonio da Silva Sá, professor de Clínica Médica do UnicenP.
denise@gazetadopovo.com.br
Os idosos vivem um desafio que os jovens de hoje não terão quando chegarem à terceira idade: aprender a usar o computador. Mesmo imbatíveis em sua profissão ou no modus operandi de um determinado trabalho, proprietários de cultura invejável, especialistas em calculadoras e máquinas de escrever, alguns sentem-se verdadeiros analfabetos diante do monitor – ainda mais ao observar a rapidez com a qual filhos e netos o operam. Mas a experiência mostra que, ultrapassada essa primeira sensação, eles não ficam para trás.
É o caso do militar Esequiel Português de Souza, de 58 anos. “Depois de reformado, decidi aprender a mexer no computador, mas ao chegar na escola de informática vi o pessoal novinho e desisti. ‘Não vou pagar mico’, pensei. Passado um tempo, voltei a trabalhar e, logo no primeiro dia, me deram uma sala com mesa e computador. Raciocinei: ‘Agora vai ou vai’. Entrei em um curso e vi que era muito mais fácil do que eu imaginava”, conta.
A reação inicial de Esequiel é normal, afirma a psicóloga Norma de Luz Ferrarini Zandona, coordenadora do Programa de Extensão Integrar, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que tem um programa de ensino de informática para idosos. “Em um primeiro momento, próximo à terceira idade, se não se aprendeu antes a utilizar o recurso existe o medo da máquina. Depois, vêem que não é tão difícil assim e, ao aprender, acabam tendo uma maior interação com a família, com os amigos. Se comunicam com familiares que moram em outros lugares pela internet, pelo Orkut. Conhecemos até histórias de pessoas que tomavam remédio para depressão e hoje em dia não tomam mais. Essa aprendizagem ajuda também no preconceito que a sociedade ainda tem em relação ao idoso”, diz.
Resistência
As dificuldades para mexer nos programas são naturais e não devem atrapalhar a decisão de dominar o computador. “É claro que os jovens têm mais facilidade de lidar com os botões e os idosos demoram para chegar no mesmo resultado. Mas o insistir, com paciência, é algo que ajuda na auto-estima e na sociabilidade”, afirma o geriatra Luiz Antonio da Silva Sá, professor de Clínica Médica do UnicenP.
As dificuldades para mexer nos programas são naturais e não devem atrapalhar a decisão de dominar o computador. “É claro que os jovens têm mais facilidade de lidar com os botões e os idosos demoram para chegar no mesmo resultado. Mas o insistir, com paciência, é algo que ajuda na auto-estima e na sociabilidade”, afirma o geriatra Luiz Antonio da Silva Sá, professor de Clínica Médica do UnicenP.
De acordo com o professor de informática Ricardo Gozdziejewaki Filho, quando querem, pessoas mais velhas são alunos persistentes, ainda mais quando precisam dessa ciência para voltar ao mercado de trabalho. “Eles se animam também com a possibilidade de se libertar da dependência de filhos e netos”, comenta.
Para Rosa Aparecida Comazi Giovanini, que venceu verdadeira ojeriza pelo computador, vale a pena passar por cima do próprio preconceito e ingressar no mundo digital. “Aos 53 anos passava longe do computador. Resistia muito, tinha medo de enfrentar, achava que ia ser muito difícil”, diz a pedagoga. “Aposentada, não podia ficar sem fazer nada e comecei a trabalhar com o meu marido. Mas sem saber computação não dava. Entrei num curso e, a cada programa aprendido, Word, Internet, Excel, fico mais entusiasmada. Hoje, baixo músicas dos anos 60 da internet, é uma delícia.”
Colunistas
Agenda
Animal


