Você acabou de sair de uma sala de cirurgia, está pálida, abatida, com pés de elefante devido à anestesia. A barriga (surpresa!) não desapareceu. Ah! Também tem os pontos, a tentativa frustrada de colocar a cinta apertada, o fato de que aquela coisinha fofa a quem você acabou de dar à luz ainda não sabe mamar – e você faz menos idéia ainda de como esse troço funciona.
Em meio à tanta novidade e à vontade louca de ficar o tempo todo olhando o bebê mais lindo do mundo, aparece a prima em segundo grau da sua colega dos tempo do balé. E olha que isso foi há muuuito tempo…
Sim, um nascimento é um evento, que movimenta toda a família, amigos, colegas, conhecidos… Mas o que nem todo mundo lembra nessa hora é que a pobre mãe acaba de passar por um parto, que seja normal ou cesáreo, requer um mínimo de tempo para recuperar as forças.
Por mais que a vontade de conhecer o rebento seja grande, alguns cuidados podem garantir que a nova mamãe não fique com um sentimento negativo – para dizer o mínimo – em relação ao visitante.
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Medidas básicas
• Ligue antes, perguntando a algum familiar se a visita é adequada. Mesmo com a autorização, seja rápido – essa é a principal regra no delicado reconhecimento do bebê.
• Jamais visite um bebê se estiver com alguma doença contagiosa, mesmo que seja um resfriado. A consultora em etiqueta Maria Tereza da Silva, a Tetê, recomenda um telefonema contando o problema, mandar umas flores ou lembrancinha para o bebê e deixar a visita para depois.
• Quando levar flores, tenha o cuidado de escolher as sem muito perfume e em cachepô, para a mãe não precisar se preocupar com vasos.
• Por causa da amamentação, muitas vezes as mulheres não podem comer chocolates. Se a intenção for dar uma caixa de bombons, pergunte antes a algum familiar.
Na maternidade
• Muitas mães preferem a visita na maternidade, porque dispõem de toda uma estrutura para lidar com o bebê. Mas alguns cuidados são importantes, afinal a mãe está se recuperando de um parto.
• Evite ir no primeiro dia, quando a mãe precisa se recuperar. Tome o cuidado de não ir nos horários de refeições.
• O recém-nascido ainda não tomou vacinas e é um tanto frágil. A gerente de enfermagem da Maternidade Curitiba, Dayana Warkentin Marques, recomenda não pegá-lo no colo, não beijá-lo nem ir vê-lo com perfume.
Em casa
• Vale a regra da ligação. Lembre-se de que o bebê ainda não tem uma rotina e a mãe muitas vezes aproveita seus soninhos diurnos para descansar. Então, mesmo que tenha avisado, a visita deve ser rápida.
• Nunca peça para pegar o bebê no colo, espere a mãe oferecer. Quando chegar da rua, lave as mãos antes de interagir com o bebê.
• Evite perfumes fortes. Se estiver de maquiagem, não beije o bebê.
• A co-autora do livro Mothern – Manual da Mãe Moderna, Juliana Sampaio, recomenda ir de barriga cheia. “Se estiver perto da hora do lanche, leva um biscoitinho, olha que simpático!”
• Tenha sensibilidade de perceber o que está acontecendo e ajude no que for possível. Juliana conta que a amiga e parceira no livro, Laura Guimarães, recebeu um amigo que, percebendo a pilha de roupas a passar, pegou o ferro e pôs mãos à obra.
• Se já tiver outras pessoas na casa, seja ainda mais rápido. “Qualquer mudança altera muito a rotina do bebê. Tem até uma coisa de energia, principalmente no começo. A gente percebe que no dia em que foram cinco pessoas visitar, ele não dorme direito”, diz a “mothern”.
• Resista, a qualquer custo, a dar palpites. A mãe está aprendendo a lidar com seu bebê, num momento de sensibilidade. Qualquer sugestão – a não ser que ela pergunte – pode soar como uma crítica.
Mamãe esperta
• Para Tetê, a mãe tem todo o direito de dizer que não quer visitas, seja na maternidade, seja em casa nos primeiros dias. “Se ela explicar as razões, com delicadeza, e perder um amigo, não perdeu um amigo, mas um problema.”
• Se você tem alguém que ajude em casa, pode oferecer um lanchinho. Se não, no máximo café ou chá – ou seja, algo que não dê trabalho.
• Você pode pedir desculpas e dizer que está na hora do banho, da soneca do bebê, ou o que for, sem medo de constranger a visita.
• Uma ótima dica de Juliana é eleger alguém – que pode ser o marido ou sua mãe, para ser o “chato” da história. “Até combine um sinal com eles: passou três vezes a mão no cabelo, manda o povo embora”, brinca.
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Serviço: Maria Tereza da Silva, Tetê (consultora em etiqueta), e-mail tetedasilva@hotmail.com / As motherns Juliana Sampaio e Laura Guimarães, blog http://mothern.blogspot.com/. Elas lançaram seu segundo livro, As 500 Melhores Coisas de Ser Mãe, R$ 15, Editora Matrix.
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