Nem sempre. Há casos de mulheres dinâmicas e independentes que, à procura do homem “ideal”, acabam cedendo aos encantos dos machões à moda antiga. É o caso da empresária Paula Cristina Mafra Magalhães Monteiro, 31 anos, casada há mais de três anos com o gerente de transporte Gustavo Nicolau Mello, 31, – com quem tem uma filha, Mariana, 3.
Osso duro de roer
Gustavo é o estereótipo do machão: quase dois metros de altura, forte, cara de poucos amigos e uma maneira de pensar que provocaria a fúria de muitas mulheres. “Dentro de casa tem que prevalecer a opinião masculina”, dispara. E vai além: “Eu preferia que a Paula não trabalhasse, porque ela cuidaria melhor da casa, da Mariana e de mim”. Tampouco é muito dado aos afazeres domésticos – com exceção da culinária ocasional. “Ele cozinha muito bem, às vezes melhor do que eu”, admite Paula, que sintetiza a mulher contemporânea – determinada, trabalhadora, independente. E o que então ela viu num cara como Gustavo? Ela mesma responde: “Proteção, segurança… a gente também percebe esse jeito mais rude como uma postura muito segura, e toda mulher precisa de segurança.”
Mesmo assim, Paula ainda acredita que um dia vai conseguir fazer aflorar o lado mais “sensível” de Gustavo: “Eu enxergo bem no fundo dele uma sensibilidade, uma faceta mais delicada e romântica”.
A psicóloga Bárbara Snizek entende o que Paula quer dizer, e explica que nem mesmo o mais machão assume esta postura o tempo todo. “As pessoas não são os personagens puros. No caso das mulheres, ficam esperando um tipo ideal, o cara másculo, mas que ajude em casa, seja sensível, ajude com os filhos e abra a porta do carro. Mas acontece que o tipo ideal não existe e nem pode ser moldado e aí vêm os conflitos”, diz.
Camuflagem
Quando a publicitária Suzana Gauginski Camboim, 33 anos, se interessou pelo engenheiro químico Fabrício Philippi Camboim, 35, viu que ele se aproximava muito do ideal traçado por boa parte das mulheres. “Como ele cresceu numa casa com três irmãs, parecia ter ao mesmo tempo a segurança do homem clássico e a sensibilidade do moderno. A gente quer um homem protetor, mas que seja também mais flexível. E ele precisa ter sensibilidade para conciliar os dois papéis”, diz.
No ano passado, Suzana cedeu aos apelos do marido e parou de trabalhar fora para poder dedicar mais tempo à filha Mirella, de 4 anos. Foi quando Fabrício revelou seu lado mais conservador. Para resolver o problema financeiro, passou a depositar uma mesada para a mulher mensalmente. “Para mim, o papel do homem e o da mulher na família são complementares: o homem deve ser o provedor financeiro e trazer segurança para o lar, enquanto à mulher cabe agregar e manter a harmonia da família, transmitir valores, orientar e passar uma boa educação aos filhos.” E tenta amenizar: “Os dois papéis são igualmente importantes”. Mas ela não aceita quietinha, e protesta em alto e bom som: “Eu vou voltar a trabalhar.”
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