Os 93 anos que já viveu serviriam de ensaio para o tempo que ainda há de vir. E o médico Moysés Paciornik não titubeia ao dizer que viveria seus últimos 30 dias como se lhe restassem outros 100 anos. “A primeira coisa a fazer seria esquecer esse aviso.” Depois, faria tudo como sempre: acordaria cedo, leria o jornal e mais os livros que lhe caíssem nas mãos, desceria os 19 andares do seu prédio à pé, faria seus agachamentos (e continuaria insistindo para que os outros também o fizessem), continuaria sem comer os três pós brancos que lhe fazem mal à saúde – sal, açúcar e farinha – e gordura animal.
E ele, esquecendo o aviso, esqueceria também de contar aos outros. Diz que não gostaria de mudar nada a esta altura da vida. Preferiria continuar convidando a esposa para ir ao cinema, sair com ela de mãos dadas, curtir os filhos, netos e bisnetos por perto – mas sem se preocupar com as despedidas. Aceitaria de bom grado os jantares oferecidos pelos amigos. Tudo com parcimônia. Nem essa hora justificaria os exageros. Conselho de médico! (LJ)
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