Comportamento

Muito além dos cabelos

Érika Busani
02/07/2007 00:01
Para a maioria das mulheres, ir ao salão de beleza equivale a uma sessão de terapia. Não há baixo astral que resista a unhas feitas, uma escova ou uma mudança completa no visual. E, claro, a um bom papo com o cabeleireiro. Eles, no mínimo, costumam ser ótimos ouvintes, mas há também os que se tornam verdadeiros conselheiros – não só sentimentais, como também de moda, viagens, restaurantes, bons programas… E há até os que constróem uma amizade sólida com suas clientes, passando a freqüentar as festas de família.
Cabeleireiro e “palpiteiro”
Nome: Viktor I
Idade: 39
Tempo de profissão: 27 anos
Cliente: Mônica Gulin, 35, apresentadora de tevê
Onde atende: Vimax Beauty, Shopping Novo Batel, piso D
“As clientes confiam muito em mim”, decreta Viktor I. Confiança que vai além do visual. O cabeleireiro não é daqueles que se limitam a ouvir as confissões que as mulheres costumam fazer em sua cadeira. “Dou conselho até nos relacionamentos. Dou palpite e já fiz muitos casamentos darem certo. Hoje não sou só cabeleireiro. Sou também um conselheiro e acabo influenciando em muitas decisões das mulheres, do casal.”
E haja sensibilidade! “Com o passar do tempo, desenvolvi um feeling. Conheço a pessoa pelo jeito de andar, de sentar, de falar comigo. Já sei quando ela entra. Se percebo que está triste, paro meu trabalho e vou dar um abraço.”
Ele por ela
“Morei na Europa e quando voltei o Viktor já era uma celebridade. Falar que freqüenta seu salão é o mesmo que usar uma grife de luxo. Gosto de ousar, por isso me identifico com o Viktor. Somos pessoas parecidas, extrovertidas, gosto de contar piada, de alegria, de me envolver com as pessoas. E também do mundo fashion, de viagens, a gente tem muito em comum. Conversamos num tom de intimidade, existe uma troca grande, contamos muitas coisas um ao outro.”
* * * * * *
Sensibilidade adquirida com o tempo
Nome: Isabel Cristina Nogueira
Idade: 38
Tempo de profissão: 20 anos
Cliente: Vânia Dalmaz, 51,
pedagoga e artista plástica
Onde atende: Jacques Janine, R. Bispo D José, 2.377
“O cabeleireiro tem um vínculo muito forte com a cliente. Arruma para o noivado, casamento, batizado… sabe quando vai viajar, quando volta. É normal ela falar de problemas, assim como a gente fala também”, conta Isabel. Ela está, inclusive pensando em incluir no salão um serviço de terapeuta emocional, que já existe em salões de São Paulo.
Se a pessoa dá oportunidade, Isabel opina. “Mas tem de saber e cuidar muito até que ponto se envolver. O profissional mais antigo tem muito essa sensibilidade de perceber o momento da cliente. Só de olhar, já sei. Se está a fim de ficar quieta, respeito, se quer desabafar, até puxo uma cadeira do lado para conversar.”
Como a maioria dos colegas, o que Isabel mais gosta numa cliente é a disposição para mudar. O que não gosta? “As depressivas, insatisfeitas. É aquela que já foi em vários cabeleireiros e não gostou de nenhum. Ela já vem com problemas e sai dizendo que o profissional é ruim.”
Ela por ela
“Antes dela ser profissional, é minha amiga. Temos muita sintonia de sensibilidade, por sermos artistas.” A relação que começou profissional cresceu de tal forma nos últimos 20 anos que foi Vânia quem organizou o chá de bebê de Isabel. “A gente gosta de sair, dar risada, já viajamos juntas”, conta.
erikab@gazetadopovo.com.br