Comportamento

Na riqueza e na pobreza

Adriano Justino
28/06/2009 03:08
Entretanto, se por um lado as dificuldades financeiras podem catalisar tensões, ter alguém ao lado na hora do sufoco financeiro também pode ser reconfortante. Foi o caso vivido pelo comerciante Arnaldo Bonini, 59 anos. Recentemente, ele passou por grandes apuros nos negócios e precisou do apoio financeiro da mulher, que é professora em duas universidades, para segurar o orçamento da casa. Das três revendas de carros usados que tinha, lhe resta apenas uma e a inadimplência em seu posto de combustíveis também tem tirado seu sono. “Levei muitos calotes e também perdi clientes para postos que cobram preços muito baixos, adulterando combustíveis”, conta. Na casa de Arnaldo também vivem as duas filhas que já são formadas, mas não contribuem com a receita da família.
Seja em um momento de crise nos negócios como o vivido pelo empresário, em casos de desemprego ou aumento nas dívidas, o apoio do parceiro e da família são fundamentais para que a recuperação aconteça mais rápida e facilmente. “Quando há um imprevisto como a perda de emprego em um dos lados, é preciso que haja união e que o casal pense junto em como sair da situação. Quem fica desempregado se sente uma pessoa fracassada e cabe a quem estiver em volta evitar cobranças, demonstrando que o valor da pessoa continua o mesmo”, diz Vera.
Para retomar as rédeas dos negócios, é preciso estudar o que pode ser feito para mudar o quadro desfavorável. Como os calotes têm sido a maior preocupação de Arnaldo, o consultor Raul Ribas dá a dica: para diminuir o nível de inadimplência, oriunda de cheques sem fundo, é preciso alterar os meios de pagamento aceitos pelo posto. “Hoje existem no mercado opções de pagamento via cartão de crédito e débito. Tais opções evidentemente adicionarão custos à operação, mas, por outro lado, anulam os riscos. Outra alternativa seria o recebimento de cheques de clientes cadastrados ou implantação de sistema de consulta de cheques”, diz. Para tornar o negócio mais atrativo para os clientes, José Guilherme Silva Vieira, doutor em Economia, sugere investimentos na loja de conveniências. “A tendência hoje é variar o leque de serviços, há quem revenda até pão francês em posto de gasolina. O negócio é estudar o público e sortir a loja de acordo com a preferência dele”, diz. A última dica é dada por Samir Bazzi, que reforça a importância de uma administração organizada. “Há controles que podem ajudar como a implantação de um sistema informatizado que controle o estoque, as contas a pagar e a receber, o fluxo de caixa etc. Um rígido acompanhamento de receitas e despesas também pode ajudar”, diz.