A expressão do título acima, tão usada hoje em Curitiba, dificilmente combinaria com outro bairro. Faz referência às quadras mais agitadas do Batel, ao redor da pracinha, onde estão concentrados bares, cafés e restaurantes. O “quase slogan” é usado pelo marketing do mercado imobiliário, lojas e hotéis. O Batel virou, mais do que um ponto geográfico da cidade, uma grife. Ocupa apenas 0,4% do total da extensão de Curitiba, mas nele estão concentrados um número impressionante de serviços vitais para a capital.
De acordo com a estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2007, devem morar no bairro atualmente pouco mais de 12 mil pessoas (0,6% do total da cidade), uma parcela pequena da população, que se torna significativa quando o assunto é renda. Segundo o próprio IBGE, um pouco mais da metade, 51% dos moradores, pertencem a famílias com renda superior a 30 salários mínimos (R$ 12.450, calculo feito de acordo com o salário mínimo nacional). Em toda Curitiba, 9,3% dos habitantes estão nessa faixa de renda. Outros 12% dos moradores do Batel estão na faixa seguinte, integrantes de famílias com renda entre 20 a 30 salários mínimos – de R$ 8.300 a R$ 12.450). Em miúdos, são pessoas prósperas e com alto grau de escolaridade – a taxa de alfabetização do bairro é de 99,2%.
Tanta prosperidade trouxe para a região todos os tipos de comércio e serviços. Certamente você ou alguém da sua família já passaram pela ante-sala de um dos 658 consultórios médicos, 300 odontológicos ou 188 psicológicos. No bairro também estão 946 estabelecimentos comerciais, sendo 267 bares, restaurantes, pizzarias e casas noturnas. Além de dois shoppings (um terceiro, de luxo, em construção) com dez salas de cinema. Mercado
A oferta de pontos comerciais é disputada no Batel. A alta procura torna o metro quadrado do bairro o mais valorizado da cidade, R$ 2,5 mil. Em outros locais igualmente nobres, como o Bigorrilho, ao lado, chega-se a R$ 2 mil o m2. O valor no Batel é alto em função da escassez de terrenos para construção e também pela localização privilegiada, perto do centro e vias para várias partes da cidade. “As empresas e os profissionais liberais vão onde há oferta de imóveis mais centrais”, diz Normando Bau, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon).
O custo bairro
Abrir uma porta comercial no Batel é garantia de reforço de marca. Não só pela força do nome, mas pelo público que mora e freqüenta o bairro. São pessoas com alto poder aquisitivo e que gostam de lugares refinados, criativos, bonitos e que ofereçam um bom serviço. Enfim, descolados, para usar o termo da moda. Estudando seu público alvo, a chef de cozinha Kika Marder concentrou no Batel as buscas por um imóvel para abrir sua “butique gourmet”. “Não poderia ser em outro lugar. É uma região charmosa e que tem todo um conceito de estilo e de público”, diz. No seu bistrô, na Alameda Presidente Taunay, os clientes podem até experimentar os pratos no local , nos 16 lugares oferecidos para almoço e lanche. Porém, a idéia é ser uma loja de comidas refinadas, prontas ou congeladas, para levar para casa.
Kika notou que circulam no bairro pessoas que viajam bastante e gostam de explorar novidades trazidas das grandes capitais do mundo, como Nova Iorque e Paris. Negócio arriscado? “Antes de abrir, sabia que em São Paulo a idéia seria bem recebida. Porém, o curitibano está mais receptivo e temos muitos moradores que vieram de fora”, diz a chef, que está com o Sel et Sucre aberto há um mês e meio. Kika levou três meses para convencer a proprietária a alugar o pequeno imóvel, anteriormente um antiquário. Para quem tem um espaço desses, o aluguel é um negócio das Arábias. Uma casa comercial de aproximadamente 600 m2 chega a custar R$ 20 mil mensais, três vezes mais do que um imóvel com a mesma metragem na Dr. Faivre, perto da Universidade Federal do Paraná.