Antigamente, homens e mulheres tinham seus afazeres em casa. Elas cuidavam das crianças e das tarefas domésticas, enquanto eles realizavam consertos e construíam coisas. Mais tarde, o trabalho fora de casa é que se tornou prioridade. Assim, saiu-se de um extremo para cair em outro e o bom passava a ser sair “para o mundo”. O trabalho manual e o lar se tornaram secundários. De acordo com a psicóloga Lélia Cristina da Luz de Melo, especialista em desenvolvimento familiar, os movimentos sociais (como o que impulsionou as mulheres o mercado de trabalho) são externos, mas a natureza humana segue uma lógica interna. “Muitas vezes, a vida do lado de fora é priorizada, mulheres negam sua feminilidade, homens a sua força e, com negação desses valores ditos menores, a família fica em segundo plano. Por muito tempo, o que vinha de casa era considerado sem valor, sem glamour. Mas as atividades complementares também podem ser brilhantes, trazer aconchego, criam a intimidade da família. Tem coisa mais gostosa que o macarrão da mãe?”
Para o psicoterapeuta Mário Negrão, as pessoas podem sair, tatuar o corpo, se encher de piercings, buscar promoções, como podem tricotar uma meia de lã para dar de presente para alguém como forma de expressão. “Todas essas são maneiras de comunicar o que você é e não o que você tem. É por isso que se deve incentivar que a criança faça presentinhos da sua arte. Você também pode oferecer o melhor prato que você pode aos seus amigos. Esse é o seu diferencial”, diz.
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