Comportamento
As alterações físicas e psíquicas, as noites maldormidas, o pouco tempo para dedicar ao outro e a falta de um “manual de instrução” são algumas das reclamações daqueles que acabaram de se tornar pais. Os conflitos entre o casal também aumentam assustadoramente. Mais de 90% de pais e mães disseram que brigaram mais após a chegada do filho e ao menos 20% deles se separaram antes de a criança completar um ano. O número é apontado por pesquisas norte-americanas, mas se estende para todos os lares em que há de se conciliar casamento, trabalho e filhos.
Apesar de estar no centro da confusão, o filho está longe de ser o verdadeiro responsável pelas crises conjugais. Geralmente os problemas antigos tornam-se insustentáveis quando somados às dificuldades e pressões da nova configuração familiar.
A psicóloga Desirée Cassado, mestranda em Análise do Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Terapia Sistêmica de Casal e Família, explica que o que leva aos desentendimentos é, principalmente, a necessidade de mudar o comportamento. “A reorganização é dolorosa e estressante. Se faz necessária uma capacidade de adaptação, pois mulher e homem – mãe e pai – têm de aprender a ser uma nova pessoa. O despreparo e a falta de comunicação os deixa nervosos, assim surgem as brigas e mágoas”, diz. Para tentar reverter esse quadro, Desirée aponta uma receita antiga, porém eficaz: o diálogo. “O importante é conseguir conversar, sem se agredir. E lembrar que quando me caso, não é só para ser feliz, mas para fazer o outro feliz. Ou então o casamento se torna um reinado com dois reis – e acaba em guerra”, afirma.
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