Comportamento
Carla e Vilmar, além da designer Maria Andrade, 26 anos, foram convidados pelo Viver Bem para uma experiência divertida, útil e ambientalmente correta: trocar coisas que não usam mais e estender o seu ciclo no mundo. Apareceu de tudo: roupas, livros, DVDs, acessórios para casa e até um disco da Madonna pechinchado por Vilmar num sebo, quando ele ainda tinha vitrola em casa. A escolha dos itens a serem trocados depende de uma série de fatores. Maria trouxe livros que já leu e estavam ocupando o lugar de novas aquisições na estante. Carla, depois que casou, descobriu que ela e o marido tinham coisas repetidas, como uma sanduicheira tipo tostex, que agora passou para as mãos de Vilmar. Em poucos minutos, A Metamorfose de Franz Kafka era trocada por A Revolução dos Bichos, de George Orwell, e um lenço colorido virava moeda de troca para um vestido nunca usado, que logo mais irá vestir a filha da Carla, de 11 anos. “Nada se perde, tudo se transforma”, já dizia, em outro contexto, o químico Lavoisier.
Quilômetros rodados
Para Maria Andrade, quem participa de encontros como este deve ter outra visão do consumo. “Tem muita gente que consome apenas pelo prazer de ter algo novo. Essas trocas, por outro lado, mostram que as coisas podem circular, não precisam ser necessariamente descartáveis.” Quando adolescente, a designer tinha um grupo de amigas que costumava trocar roupas e acessórios. “Um dia, uma delas voltou de viagem com uma sapatilha linda. Eu me apaixonei, ela me deu de presente e eu sempre pensava como era legal ter um calçado com tantos quilômetros rodados”, lembra.
Assim como ela, Vilmar Luiz confessa não ligar para coisas novas. “No Brasil, percebo que as pessoas supervalorizam o novo, que aqui é sinônimo de status. Na Europa, vi um desprendimento maior das pessoas. Elas adoram passear em mercados e feiras de rua, onde é normal comprar itens usados”, reflete o publicitário, que tem o hábito de frequentar sebos e brechós na cidade. Se você torceu o nariz para a ideia, morra de inveja: no bazar de usados do Asilo São Vicente de Paulo, em Curitiba, Maria Andrade jura ter encontrado recentemente um blazer original da grife francesa Dior por três míseras moedas de um real.
Desapegue-se
Carla Faria confessa que, na hora de separar os “cacarecos” que seriam trocados entre os leitores do Viver Bem, enfrentou dificuldades. “É nesse momento que a gente se dá conta de como é duro se desapegar das coisas materiais. Sempre achamos que, mesmo sem usá-las há muito tempo, um dia elas serão úteis de novo”, diz ela, que avalia a experiência das trocas de forma positiva. Anos atrás, quando sua filha estudava na escola Palmares, encontros como este eram comuns entre os alunos no início do ano letivo. “É muito bacana incutir nas crianças esse desprendimento do valor real de cada objeto, sublimar quanto ele custou de verdade e considerar apenas seu valor afetivo, baseado simplesmente em gostar ou não gostar”, analisa. E já antecipa a alegria da filhota ao chegar em casa e ganhar de presente um vestido novo. Ou quase.
Agradecimento
Hacienda Café, Al. Prudente de Morais, 1.283, fone: (41) 3018-9525. O local promove periodicamente o Escambo Fashion. O próximo está marcado para o final do mês.
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Interatividade
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