Ele queria ser chamado de Zé. Isso até uma professora bonitona de Geografia nos tempos de escola dizer que o nome Tiago era lindo. Coincidência ou não, foi justamente ela quem arranjou tudo para publicar a primeira matéria no jornal de Cascavel com José Tiago Recchia. Virou Tiago e com orgulho. Nasceu em Tubarão (SC), em 1962. De lá não lembra nada, pois mudou para Porto Alegre aos três; aos seis foi “extraditado” para a casa dos tios em Curitiba e aos sete “repatriado” pela família, agora em Cascavel. “Mas eu prometo fazer um dia um tour completo por Tubarão…” Quando quebrou a tíbia e o perônio da perna esquerda, aos 10 anos, descobriu que era divertido desenhar no gesso. “Não tenho mais o gesso, mas acho que aquela professora o teria guardado”, brinca o galã de plantão. Aos 13, começou a trabalhar num jornal fazendo tirinhas e caricaturas de políticos. “Gastava todo salário com guloseimas e farras com os colegas de oitava série.”
Ele até tentou trilhar outros rumos, estudou Economia por um ano –e foi só o que bastou para decidir que sua vida era o desenho. “Antes eu achava que desenhista era vagabundo, beberrão, bagunceiro. Então era isso que eu ia ser”, provoca. Para manter a verve criativa aguçada, lê ficção. “Cuidado, o próximo passo é ele começar a recitar Tchekov em russo. Você lembra, Paixão, quando ele ficava ‘declamando’ Lacan a altas horas da madrugada?”, brinca Benett. “Ah sim. Lembro até que eu desenhei o Lacan, o Freud…”, diz Paixão. “E não é que eu esqueci as melhores citações?”, esbraveja Tiago.
O pai de Los Três Inimigos prefere acabar com qualquer polêmica e se diz um fiel torcedor do Araçatuba, de Sorocaba. Acredite se quiser. O filho André, este, sim, é atleticano. A mulher Juliana não. “As mulheres contribuem com a civilização. Enquanto os homens bagunçam, elas ordenam. Enquanto a gente inventou o fogo pra fazer churrasco com os amigos, elas o trouxeram para aquecer a casa”, filosofa. “E olha que eu criei esses pensamentos agora, hein?” (LJ)
Colunistas
Agenda
Animal


