Comportamento

O lado B

Adriano Justino
24/10/2005 01:16
Se por um lado, a internet contribui para a socialização do idoso, o recurso torna-se uma verdadeira armadilha para quem não teve o suporte necessário para usar bem a rede. “É inevitável, os idosos tendem a procurar informações sobre medicina e não sabem que, muitas vezes, os dados da internet não são verídicos, nem científicos. E, por vezes, trocam tratamentos comprovados por alternativos. Esses sites geralmente atraem o idoso porque são bem feitos”, alerta o cardiologista Antonio Augusto de Arruda Silveira Júnior.
Segundo Silveira Júnior, os idosos são mais suscetíveis a serem enganados. “Para eles, que gastam em média 60% do ordenado em remédios e médicos, é normal que procurem qualquer tipo de solução. Ainda mais se sofrem uma doença séria e a medicina tradicional demora a resolver, começa a peregrinação a vários tipos de terapia, não interessa o preço. Lembrando que os efeitos colaterais disso ou apenas o adiamento do tratamento correto é perigoso. A linha que divide a saúde e a doença no idoso é muito tênue”, continua.
Outra questão levantada pelos especialistas é o perigo do sedentarismo. Se o computador se torna o objetivo principal do dia acaba por distanciar dos exercícios físicos recomendados. “Trabalhamos no programa de inserção do idoso com a idéia de que o computador é apenas um meio. Por isso, na universidade, fazemos ginástica laboral com os alunos para evitar a polarização e os conseqüentes problemas com a postura e visão. Enfim, ensiná-los a intercalar a atividade com outras, a valorizar o contato pessoal”, analisa a psicóloga Norma de Luz Ferrarini Zandona, coordenadora do Programa de Extensão Integrar da UFPR.
Para Edison Luiz Corrêa, 73 anos, que se diz um “apreciador” da internet, o nascimento da neta Manuela colocou o recurso no seu devido lugar. “Antes, para preencher o tempo ocioso, a freqüência na internet era de mais ou menos quatro vezes por semana. Hoje, sem deixar de acessar, prefiro estar com a minha neta, é muito mais agradável, me sinto mais útil.”