Comportamento

Paixão no RG

Adriano Justino
02/08/2009 03:05
O nome Paixão é de berço. Foi batizado Ademir Vigilato da Paixão. “Sabe ‘aquele’ óleo de amêndoas da propaganda? Foi feito em minha homenagem. Você já pensou a Maria Fernanda Cândido me passando?”, diverte-se. A idade vem com outra resposta estranha. “Sou do ano em que a Harley (Davidson) comemorou 50 anos. 1953. Quando ela fez 100, eu estava comemorando 50.” A origem? “Nasci em Jupira, no Norte Velho…” E foi lá que começou a história desse caricaturista de mão cheia e coração grande – o lado B é de um cara família, que contribui para dezenas de trabalhos sociais como voluntário, incluindo uma bi­­blio­­teca apelidada “Paixão” em sua terra natal.
Criança, ele modelava os bichos do sítio em barro. “Descobri que eu era bom nisso quando os conhecidos começaram a guardar os ‘barrinhos’ que eu fazia. Em casa eu levava bronca, porque voltava sujo de terra. Aí meu pai me deu papel de embrulho para desenhar. E eu entendi que a outra opção era trabalhar na roça”, lembra.
Veio para Curitiba aos 18 anos para “comer o pão que o diabo ainda ia amassar”. Na Gazeta soma 23 anos. O trabalho na polícia, os amigos dos tempos da feirinha hippie (em que foi o primeiro a fazer caricaturas na rua), o conselho engolido a seco de ler jornais ao invés de colar nos jornalistas atrás de inspiração para seus desenhos. Tudo é narrado por Paixão com o cuidado de avisar a cada meia dúzia de palavras: “Isso você não coloca, tá?”. Por que? “Ah, o pessoal pode não gostar”.