Comportamento

Procura-se um bom partido

Larissa Jedyn
31/10/2005 00:26
larissa@gazetadopovo.com.br
Quero um amor, mas se for moreno, alto, bonitão e tiver uma bela conta corrente, melhor. Que se arrepiem feministas e românticos, mas essa seria a tradução do bom e velho bom partido de outros tempos. Aqueles por quem as mães suspiravam só de imaginá-los casados com suas filhas. Na mesma linha, filhinhos queridos deveriam procurar boas moças direitas e prendadas. Será que não há mais delas ultimamente? Ou foi o conceito dos partidões que mudou radicalmente?
A transformação da sociedade nos últimos anos dá algumas pistas. Homens e mulheres mudaram, segundo a psicóloga clínica Josete Cesarina Tulio, terapeuta familiar e mediadora de conflitos. E sobrenome, conta bancária, beleza ou simpatia – sozinhos – deixaram de ser suficientes para transformar sapos em príncipes. Eles agora, muito mais que provedores, são companheiros sensíveis, prontos para colocar a mão na massa, ajudar na educação dos filhos e até discutir sua relação com as parceiras. Elas saíram de casa, ganharam espaço no mercado de trabalho e tornaram-se companheiras para todas as horas, até para bancar as contas e assumir a casa se for preciso.
Há quem ainda prefira seguir os antigos padrões, que valorizavam conceitos como posição social, tradição e submissão, mas cresce, segundo Solange Maria Rosset, terapeuta de família e casais, o número de pessoas em transformação e movimento, que estão em busca de parceria e acréscimo na qualidade de vida. “Antes se buscava que o outro suprisse tudo, ao passo que os casais de hoje são mais funcionais, estruturam suas relações com novas regras e consideram homens e mulheres como são realmente. A busca é por um parceiro na vida, nas contas, projetos e sonhos”, diz ela. “O ser humano está percebendo sua capacidade de sobrevivência. Com ou sem companhia. Sem a compulsão de ter necessariamente alguém do lado. Está se conscientizando que o outro é a cobertura e não o bolo.”
O casamento ou qualquer outra relação amorosa é, na opinião de Solange, o melhor lugar para aprender e crescer. “É aí que se mostra o melhor e o pior. E a partir do momento que as partes estejam conscientes do seu papel, que sozinhas resolvam suas questões, as relações se tornam mais reais, sem expectativas fantasiosas.” E assim saem de cena os romances de contos de fadas, em que as princesas sempre esperam ser salvas pelos príncipes no fim da história, e se abrem as possibilidades das relações construídas a cada dia e até quando o amor, ou o fim dele, os separe.
Bons partidos como os de antes são raros. E raro também é conseguir identificá-los assim, à primeira vista. Mais do que olho clínico, a prática requer altas doses de sensibilidade. Fomos atrás de alguns, tentamos esboçar perfis e descobrimos que a definição de bom partido se tornou absolutamente subjetiva. Há quem prefira alguém bem-humorado. Outro que faça questão de um doutor em literatura para que juntos desvendem a obra do autor favorito. Ou ainda, alguém que busque outro alguém disposto a se aventurar no mundo para compartilhar experiências. Tudo em nome da parceria e do aprendizado. Ah, nas próximas páginas, você vai conhecer algumas pessoas que toparam figurar como os partidões do momento. Outros tantos enrusbeceram só de ouvir a proposta. Mas, pelo que dizem os especialistas, se você se libertar dos antigos conceitos, é bem provável que encontre o par ideal aí do seu lado.