Comportamento

Quase sem palavras

Irinêo Netto, jornalista.
30/04/2007 00:01
“Talvez voltasse a fumar. Não me importaria de dormir pouco. Com certeza não veria televisão. Tentaria escrever algo para o meu filho ler quando fosse maior (hoje ele tem dois anos). Nada demais. Só que o pai dele o amava e gostaria de poder vê-lo crescer. Mas diria que não ter pai pode ser bom porque daí é preciso se virar sozinho. Igual a todo mundo em determinado ponto da vida. Com o meu pai, eu tomaria um porre, e o café da manhã seguinte seria com minha mãe. Passaria dias me despedindo da minha mulher. E, por ‘despedindo’, não me refiro só a beijos e abraços. Na semana derradeira, eu arranjaria um trator de aparar grama (detesto carros) e cruzaria o Paraná para encontrar minha irmã que não vejo a uns vinte… dias. Chegando lá, sentaria ao lado dela e não falaria nada. Porque existem coisas que não precisam ser ditas.”