São apenas quatro ou, no máximo, cinco horas de sono. Nem essa rotina, nem o trabalho pesado fazem a servente Iliane Esperança dos Santos, 45 anos, andar sonada pelos cantos num abrir e fechar de bocas. Para chegar no trabalho, acorda às 4h30, prepara a marmita, corre para pegar três ônibus e chegar no trabalho lá pelas 6. Sai de lá por volta das 4 da tarde e vai cuidar da casa… Dormir mesmo só depois da meia-noite, a hora em que o filho chega da faculdade. Isso quando os dois não ficam de conversa. “Antes desse emprego, eu acordava no mesmo horário para tomar café com uma tia que também madrugava. Acho que é coisa de família”, lembra. Se o sono não a assola, o que incomoda é o medo da violência. “Como está muito escuro a hora em que saio, acaba sendo perigoso. Já fui assaltada na linha do trem quando corria para pegar o ônibus. Hoje, chego no ponto na hora certa e já fiz amizades no percurso. Se vejo alguma movimentação estranha, corro para perto deles”, conta. Descanso mesmo só nas tardes de domingo, quando o serviço já está em dia e os filhos vão ensaiar com uma banda… “Aí fico na frente da tevê, só relaxando.”
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