Comportamento

Que fique bem claro!

Jennifer Koppe
25/02/2007 18:31
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Existem coisas que você só descobre sobre o(a) companheiro(a) depois do casamento. São manias e gostos que aparecem com o tempo. As chuteiras jogadas pela sala, a maquiagem espalhada pela pia, a briga pelo controle remoto… A lista é interminável. Às vezes essas peculiaridades são engraçadas, quase sempre são irritantes, mas nada é tão difícil de ser contornado, ignorado ou resolvido através de uma boa conversa.
Um amiga minha por exemplo, descobriu a estranha obsessão do marido pelas sacolas plásticas de supermercado. Outra sofreu para aprender a dividir o banheiro com um homem. A duras penas, teve que passar por cima dos pêlos no sabonete e da pasta de dentes apertado no meio do tubo.
A publicitária Patrícia Ern, irmã da Betina, que conta a sua história na próxima página desta reportagem, precisou fechar os olhos para a bagunça do marido para viver em paz. “Tive que fazer um pacto com ele: nunca jogar nada das coisas dele fora. Parece absurdo, mas é verdade. Nem das figurinhas repetidas do álbum da Copa de 2006 eu posso me desfazer. Também tem os uniformes da época que ele jogava handebol, e que nunca mais vão servir, as bermudas de estimação, os xerox da faculdade…”, conta.
Por outro lado, existem algumas descobertas, muito mais sérias do que as manias, que podem surpreender e abalar uma relação, por mais sólida que pareça ser. E é muito importante que elas sejam resolvidas antes do sim.
O jornal americano The New York Times listou recentemente as 15 perguntas que um casal deveria se fazer antes de subir ao altar (confira na página 8). Entre elas estão questões determinantes como: “Vamos ter filhos?”, “Você gosta dos meus amigos?”,“O que a minha família faz que te irrita?” e até mesmo “Vamos ter uma televisão no quarto?”.
Você pode ser um daqueles que acredita que o verdadeiro amor vence as barreiras, mas os casais e especialistas entrevistados garantem que a rotina e as diferenças de crenças ou de objetivos, podem sim minar um relacionamento.
“Muitos casais não discutem as questões mais práticas porque acreditam nos mitos do amor. A primeira é que o amor é para sempre. Os votos matrimoniais constituem a expressão pública desse mito. Outro diz que o amor resolve tudo. Pensamos num relacionamento como um recurso exclusivo e abrangente e conduzimos nossa vida de acordo com essa expectativa. Mas é preciso aprender a preencher as nossas necessidades de outras maneiras”, acredita a psicóloga e mediadora de conflitos Josete Túlio.
Para o médico Ismael Lago, que há 30 anos integra cursos de noivos em paróquias de Curitiba e outros movimentos que tem por objetivo melhorar o relacionamento de casais, é difícil tratar de certos assuntos, pois eles ainda são consideradas tabus pela sociedade. “As preferências sexuais e a infidelidade são temas muito importantes de serem discutidos, pois são determinantes para a harmomia e a convivência entre o casal”, exemplifica. No livro Você, o Amor e Eu, o especialista fala de outros fatores determinantes para tornar um casamento bem-sucedido e feliz.
Questão legal
O advogado Carlos Alexandre Dias da Silva, especialista em direito da família, explica que, para evitar complicações legais no futuro, o casal pode colocar algumas decisões no papel, entre elas, a gestão do patrimônio e o planejamento familiar.
A questão patrimonial pode ser tratada com um pacto antenupcial, em que se define a forma de separação (ou comunhão) de bens. O especialista sugere que se faça um planejamento de investimentos comuns e a forma com que cada cônjuge irá contribuir para este investimento.
Ató o número de filhos pode ser colocado em um documento com “regras”. “A questão é delicada, pois quase sempre envolve os direitos indisponíveis, que não podem ser objeto de renúncia ou restrição por simples ato de vontade”, explica.
Serviço: Josete Túlio (psicóloga e mediadora de conflitos), fone (41) 3338-7770 / Gilvânia Barzotto (psicóloga), (41) 3254-6988 / Ismael Lago (endocrinologista), fone (41) 3352-2022 / Carlos Alexandre Dias da Silva (advogado), fone (41) 3356-4569.