Comportamento

Quem somos nós?

Jennifer Koppe
11/02/2007 19:28
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Cada ser humano é único, mas há muito o se que aprender sobre a população brasileira através dos levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados podem ser generalistas, mas indicam transformações sociais, econômicas e comportamentais significativas.
A Síntese de Indicadores Sociais de 2006 revela muito sobre a realidade paranaense. Embora a média de tempo de estudo de quem vive no estado seja de apenas 7,3 anos, melhorias na área da educação foram registradas nestes últimos dez anos. A taxa de analfabetismo, por exemplo, diminuiu de 11,5%, em 1995, para 7,1%, em 2005.
“O Paraná, além de ser um estado novo, tem uma tradição agrícola muito forte, foi todo constituído historicamente pela sociedade agrária. A educação, que vai além do saber e do escrever, é coisa de cidade. Nos dias de hoje, tem muita gente na faixa dos 40 ou 50 anos que não estudou além do ler e escrever, quanto mais os seus pais e avós. Estas pessoas, que se criaram na agricultura, com pouquíssimo tempo de escolaridade, é que empurram os dados estatísticos para baixo. A tendência é que a cada nova década esta configuração mude significativamente”, analisa o doutor em Sociologia e professor da Pontifícia Universidade do Paraná (PUCPR), Lindomar Boneti.
Essa melhora já tem sido demonstrada em números, que mostram que 56,7% das mulheres paranaenses têm 12 anos ou mais de estudo e que 67,2% freqüentam a universidade. Mas apesar de estudarem mais, recebem menos. O rendimento mensal médio dos homens paranaenses é de R$ 898,80 enquanto as mulheres recebem em média R$ 682,80. Na Região Metropolitana de Curitiba, a diferença também é grande: o salário médio para eles é de aproximadamente R$ 1.265,50. Já o cálculo para elas é de apenas R$ 842,40.
O sociólogo Lindomar Boneti diz que compete às mulheres lutarem pela igualdade de remuneração. “Temos, no nosso país, menos de 80 anos de urbanização. Ainda paira sobre a mulher o estigma do lar, de que é aquilo que ela sabe bem fazer. O setor produtivo se aproveita desta ignorância para divulgar uma idéia de que a mulher é improdutiva, pois continua com as responsabilidades do lar e dos filhos.”
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que os homens estão mais participativos na criação dos filhos e nos cuidados com a casa: 59,3% dos homens que trabalham fora também ajudam nos afazeres domésticos (em 1995, eram 45%).
Apesar da crescente taxa de urbanização do estado, que a longo prazo pode levar a problemas estruturais – falta de saneamento básico, filas nos postos de saúde, desemprego, aumento da criminalidade – o acesso a serviços e bens de consumo pode ser sinal de que a qualidade de vida de quem vive no estado está melhorando. “Se considerarmos o fato de que vivemos em uma sociedade capitalista, onde o consumo é a base da produção de riquezas, isto resulta em grandes mudanças, que serão positivas para o próprio sistema”, argumenta Boneti. De acordo com os indicadores do IBGE, 93% dos paranaenses têm tevê em cores (em 1995, eram 69,8%), 95,6% têm geladeira (84% em 1995). Apenas 48,9% dos paranaenses têm máquina de lavar roupas, mas na RMC, esse valor sobe para 71,4%.