Comportamento
Segundo o estudo Inova, dois terços dos curitibanos veem a formação educacional como uma obrigação do governo. Para eles, a preocupação com a qualidade do ensino e o número de vagas nas escolas públicas está entre os cinco pontos mais importantes do dia a dia para se resolver. De acordo com a cientista social e antropóloga Ana Luisa Sallas, este interesse pela melhoria nas condições do ensino público tem explicações econômicas, como mostra a história da família Zortéa. “Se a classe média percebe que uma educação de qualidade pode ser oferecida na rede pública, ela vai matricular seus filhos como uma forma de desonerar o orçamento da família.” A socióloga Margarida Cristina Quadros concorda com a análise: “Nos anos 1990, quando o poder aquisitivo do brasileiro entrou em queda por causa da alta inflação, a classe média migrou massivamente para a rede pública, mas percebeu que o ensino não tinha a qualidade de outros tempos e, portanto, hoje entende que ela deve ser uma prioridade do governo”. Para ela, o mesmo aconteceu com o sistema público de saúde, que aparece em segundo lugar entre os pontos a serem resolvidos no dia a dia dos curitibanos. “Planos privados se tornam mais caros à medida que as pessoas envelhecem, e temos uma população idosa em plena ascensão em Curitiba, daí a preocupação com a qualidade dos serviços públicos.”
Tempo de estudo
Ana Luisa Sallas destaca que a educação continua sendo vista como o principal instrumento de mobilidade social no Brasil. “É para a educação que convergem todas as perspectivas de futuro e melhoria de vida, rebatendo diretamente no nível de renda das pessoas.” Ela afirma que sociedades compostas por estratos sociais mais altos tendem a priorizar a educação, informação que condiz com a realidade de Curitiba, onde há mais pessoas ocupando as classes A e B do que no restante do país, e a quantidade de anos de estudo também é maior na capital paranaense: de acordo com dados de 2008 do IBGE, 40% dedicam 11 anos ou mais à atividade, enquanto no Brasil esse índice é de 32%. “Renda e escolaridade andam juntos, um impacta o outro. Quanto mais anos de estudo se tem, maior a possibilidade de conquistar um emprego melhor e garantir uma renda mais elevada. Da mesma forma que, quanto maior for a renda da família, mais chances ela tem de manter os filhos estudando por mais tempo”, analisa a antropóloga.
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