Comportamento

Rotina, essa injustiçada

Bruna Bill - brunag@gazetadopovo.com.br
30/10/2011 02:14
Todo dia é sempre igual. Dos primeiros horários da manhã até a noite, a agenda é preenchida com os horários para trabalhar, estudar, malhar, comer e voltar para casa, todos organizados e cronometrados conforme sua rotina. “Ela é uma sistematização do tempo, onde você impõe um certo método para aproveitar as horas do dia”, explica a psicanalista Rosa Mariotto. Mas o que, para os adultos, muitas vezes parece uma prisão, é essencial para diminuir o estresse e também faz parte do desenvolvimento das crianças.
Estabelecer horários para as atividades diárias é essencial para disciplinar corpo e mente. A rotina funciona como uma bússola, reforça o foco nas ações e dá segurança a quem a segue. “Se algo dá certo, buscamos repetir em outros momentos. Dentro da rotina, sabemos o que vai acontecer depois e isso nos deixa tranquilos”, afirma a psicóloga Odegine Graça, que diz que esse controle ajuda no controle da ansiedade e do estresse.
A organização das tarefas também nos torna mais produtivos. “Se você sabe exatamente o que vai fazer durante o dia, não precisa perder tempo pensando nessas coisas nem em como vai encaixá-las no tempo que tem”, comenta o psicólogo Marcos Meier, especialista em Educação, que ressalta a importância da rotina para priorizar as atividades mais importantes e até no melhor aproveitamento do tempo de descanso.
Para os pequenos
No processo de educação das crianças, lidar com a organização produtiva das horas do dia é algo que precisa ser aprendido desde cedo. “Acostumar a criança a dormir no mesmo horário e lugar, tomar banho e fazer as refeições todos os dias da mesma forma é importante para que ela desenvolva a noção de tempo e de sucessão”, indica Rosa. Isso também os ajuda na conclusão das tarefas. “Quando uma criança fica totalmente livre, é comum que fique ansiosa, superativa e não saiba o que fazer. Então ela inicia várias atividades sem terminar nenhuma”, afirma Odegine.
Mas estabelecer uma rotina não significa lotar o dia dos filhos com aulas e compromissos. “As tarefas devem ser feitas com prazer, quando há o desejo de realizá-las. Caso a criança relute ou peça para faltar, há que se rever a atividade.”
Sem obsessão
O excesso de rigidez com os compromissos, no entanto, pode trazer prejuízos. A famosa expressão “quebrar a rotina” já dá a ideia de que é preciso ter flexibilidade para lidar com imprevistos. “Se a rotina está a meu serviço, e não o contrário, eu posso quebrá-la quando escolho fazer outra coisa e voltar para o compromisso mais tarde”, afirma Meier.