Comportamento

São Francisco independente

Danielle Brito - daniellesb@uol.com.br
20/12/2009 02:04
Mas Michelle, uma das mais animadas com o movimento no São Francisco, dispensa o rótulo “alternativo”. “Parece underground, trash. Não somos um bando de malucos, somos profissionais que atendem pessoas de A a E em estilo, idade e potencial econômico”, diz a curitibana de 29 anos, que viveu oito em Londres, onde saiu da cozinha de um bar gay – “eles são muito exigentes” – direto para salões conceituados aprender o ofício com a tesoura e secador. Ela chega a trabalhar dez horas em pé e muitas vezes emenda com a balada. Junto com os comerciantes do bairro, Michelle planeja uma associação que possa cobrar do poder público segurança, limpeza e iluminação para dar mais conforto aos que querem gastar sola de sapato pelas calçadas de petit pavé.
Descendo a Trajano, bem em frente ao Wonka, Daniela Fontes abre o cadeado do casarão que abriga seu ateliê, o Scarlet Vintage, aberto há pouco mais de dois meses. Embora o local seja todo decorado com peças antigas e esteja cheio de araras de roupas, a ideia não é ser uma loja convencional, mas um local para receber clientes que queiram reformas ou peças exclusivas, e promover eventos como bazares. “Procurei um imóvel na região e achei que a casa tem tudo a ver com as minhas peças, que são retrôs”, conta Dani, que está assinando sua primeira coleção de roupas depois de trabalhar um tempo com customização de peças de brechó.
A poucos metros da Scarlet, numa esquina movimentada da Inácio Lustosa, está o empreendimento mais ousado da nova fase do São Francisco, a Galeria Lúdica, fruto de um coletivo que começou com o Mega Bazar Lúdica, hoje um sucesso de público com duas edições anuais. O imóvel de dois andares tem café e espaço para grifes alternativas. No segundo piso fica uma galeria de arte com peças de artistas locais, objetos de design e araras para novos criadores paranaenses. “É um espaço de convívio, um ponto de encontro para mentes criativas”, resume a arquiteta Débora Mello, sentada à mesa do café, cujo mobiliário ela mesma projetou. Ela conta que foram cinco anos debruçada sobre um plano de negócio, que tem um investidor, que será pago mensalmente. “O desafio é chamar também um público mais velho. Já deu para perceber que tem muita gente cansada de frequentar shopping”, afirma. Da vidraça do café, avista-se uma loja defronte à Lúdica. Ao lado dela, em breve deve surgir um brechó de luxo. As obras no São Fran­­­cisco não param…
Conheça alguns dos novos comércios do bairro São Francisco:
Lolitas Salon de Coiffure
O quê: cortes, tinturas, penteados, perucas e roupas.
O espírito: Agregadora, a cabeleireira Michelle Kelly fez de sua equipe uma família – o marido Cristopher (que cuida do som e dos negócios), os cabeleireiros Ísis Piovesan e Jonnathan Washington e o estilista “hóspede” Márcio Oliveira, da Collete & Corselet. “Aqui a galera faz o que gosta e o cliente sente isso”, afirma ela, enquanto serve um café. O estilo do penteado quem escolhe é o freguês.
Onde: Rua Trajano Reis, 115, fone (41) 3224-8115.
Garage (foto 1)
O quê: roupas recicladas e arte.
O espírito: A “agente” costura Lisa Simpson passou pelo local, cravado no Largo, e se apaixonou. Mudou para lá com a máquina de costura Elna que ganhou no aniversário de 15 anos e pensou: “vou chamar a galera”. Hoje, além das reformas e customizações, abriga todos os domingos um minibazar no qual entram peças de roupa, acessórios, arte e design.
Onde: Rua Jaime Reis, 278, fone (41) 9995-0991.
NovoLouvre (foto 2)
O quê: moda e cafés especiais.
O espírito: Com mais de dois anos de funcionamento, o charmoso café (que serve a marca Suplicy) aumentou seu espaço para a moda de designers locais como NovoLouvre, Beluska, Artha, Cabeça de Gato, By Mutation, Debora Schwarv, Goa e Que te Encante (infantil). Boa pedida principalmente para as tardes de domingo, depois de um passeio pela feirinha.
Onde: Rua Trajano Reis, 36, fone (41) 3232-0055.
Milho Guerreiro (foto 3)
O quê: roupas artesanais multicoloridas
O espírito: Difícil encontrar uma peça igual a outra. Patchwork de tecido e muita estampa em roupas para adultos e crianças. O capuz “gnomo” é marca registrada. Nos meses de janeiro e fevereiro a loja se transfere para a Guarda do Embaú (SC).
Onde: Rua Trajano Reis, 152, fone (41) 3233-2758.
Scarlet Vintage (foto 4)
O quê: moda retrô
O espírito: A designer Daniela Fontes está lá para fazer reformas, anotar encomendas e vender peças quase exclusivas de sua coleção. Seu fiel escudeiro, o cãozinho Vitório, dá as boas-vindas aos visitantes e guarda o casarão de 1908. Atenção: o lugar não tem placa e é necessário tocar a campainha.
Onde: Rua Trajano Reis, 335, fone (41) 8804-1301. Hoje, o ateliê faz um bazar, das 10 às 17 horas, com peças entre R$ 5 a R$30.
Galeria Lúdica (foto 5)
O quê: roupas, acessórios, arte, design, cafés e comidinhas
O espírito: Bom ponto de encontro para o consumidor de moda e arte. É administrada pelo coletivo formado pela arquiteta Débora Mello, o publicitário Felipe Pedroso, a designer e fotógrafa Michele Micheletto, o artista plástico Cláudio Celestino (Dimas) e a estilista Naty Fogaça, que assina a marca da casa. A linguagem visual é moderna e integrada. Há grifes-âncora como Vide Bula, Plastic e Melissa, mas quem subir no segundo piso pode fazer bons achados de etiquetas alternativas, como Picnicdelefante. Obras de artistas plásticos locais, como Jorge Galvão, estão expostas e à venda.
Onde: Rua Inácio Lustosa, 367 (esquina com a Duque de Caxias), fone (41) 3618-0114.
Brique (foto 6)
O quê: roupas, acessórios e brechó
O espírito: Uma loja charmosa e intimista, com decoração retrô que, além de peças garimpadas, oferece grifes como A Mulher do Padre, Sommer e King 55.
Onde: Rua Duque de Caxias, 380, fone (41) 3225-3161.
Sica (foto 7)
O quê: moda alternativa
O espírito: O casal Murilo Mogelo e Simone Oliveira Simonato começou na feira do Largo da Ordem. A loja é aconchegante, colorida, lembra o estilo hippie. Destaque para as bolsas de tecido colorido e as peças de modelagens amplas, como as saruel confeccionadas por Simone.
Onde: Rua Trajano Reis, 111, fone (41) 3079-2960.