Comportamento
“Oi guri, eu sou o papai e prometo que vou me esforçar!”, foi o que o técnico de qualidade industrial Pedro Henrique de Carvalho disse ao filho Jorge, assim que o viu nascer. “Foi a única coisa que me veio na cabeça quando o vi todo roxinho saindo da sala de parto”, conta, lembrando que se perguntou se seria um bom pai durante toda a gravidez. Assim como a mulher se vê equilibrando múltiplas funções e ainda luta para ter seu espaço no mercado de trabalho, os homens têm mostrado que querem se sentir seguros no papel de pais, desde o início.
Eles não engravidam, não amamentam, têm poucos dias de licença-paternidade e um histórico secular como provedores que ficavam mais afastados da família. Como se já não fossem entraves demais, a maior parte não pode contar com o exemplo trazido de casa na hora de educar os filhos. “Os pais deles tinham a função básica de ser um provedor e um bom exemplo. Mas com a entrada da mulher no mercado de trabalho, o homem precisou se aproximar e ajudar no cuidado com as crianças, sem saber muito como fazer”, afirma a psicóloga Ana Paola Lubi, mestre em Psicologia da Infância e Adolescência.
O publicitário e empresário Eric Andreas Steudel, 33 anos, lembra das experiências positivas que teve com o pai, e segue “quase” o mesmo modelo com a pequena Pietra, 4 anos. “Eu vi como meus amigos sofreram com um pai provedor ausente, diferente do meu pai, que era batalhador, mas usava o tempo que lhe restava para nos dar atenção. Eu sempre pensei que tenho de ser ainda melhor que ele. Quero ser o melhor amigo dos meus filhos, acompanhar o crescimento deles e realmente participar de suas vidas”, conta.
Mãe-parceira
O sucesso da relação entre pai e filho depende de vários aspectos, mas um dos mais importantes é a postura da mãe, segundo a psicóloga Carla Cramer, mestre em Psicologia Clínica e especialista em Terapia de Família e de Casal. “Muitas mulheres se queixam, querem pais mais participativos. Sentem-se sobrecarregadas, porém esperam que os pais ajam com os filhos exatamente como elas agem. Assim, os pais se sentem criticados e podem se afastar”, explica. A saída apontada pela psicóloga seria a mãe ceder espaço e propiciar oportunidades para que a relação pai-filho se estabeleça e esteja sempre em processo de crescimento. Paciência e tolerância seriam as palavras-chave.
O servidor público José Luiz Faria de Macedo Filho, 40 anos, pôde contar com essa parceria até mesmo depois do divórcio. Arthur tinha quatro anos quando o pai saiu de casa e, passados sete anos, José Luiz sempre teve abertura para estar próximo do filho. “Nós sempre fomos grudados e continuamos tendo contato diário. Ele almoça comigo, eu levo para a escola e quando ele está doente ‘se muda’ para minha casa. A mãe dele vê a importância desse vínculo e não há entraves quando ele quer estar comigo.”
O masculino
Há algum tempo ouvimos falar muito em “figura paterna” e da importância fundamental que ela teria para o desenvolvimento das crianças. Se havia uma separação e a mãe ficava encarregada dos filhos, era comum os familiares mais velhos arrepiarem os cabelos se perguntando como uma criança iria crescer sem a tal “figura paterna” dentro de casa.
Mas o psicólogo e psicoterapeuta Antônio Vitorino Cardoso Neto, professor de Psicologia da PUCPR, esclarece que a história não é bem assim. “Não é que a criança necessite de uma figura materializada de pai ou avô. O que ela precisa é ter alguém que represente a função de colocar limites, e tanto o pai como a mãe podem fazer isso. Por outro lado, se é a mãe que falta na família, o pai também pode assumir uma função mais acolhedora, ser mais carinhoso, compreensivo. Características que normalmente estão mais presentes nas mulheres”, diz.
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