Não entendo direito o homem que só se sente pai depois de interagir com o filho. Se a criança foi gerada, está na barriga, para mim já faz parte do mundo. Pelo menos do meu mundo. Por isso, faço questão de recebê-la pessoalmente em sua chegada. É claro que existe outro motivo igualmente importante para assistir ao parto: a mãe. Ela, que encarou poucas e boas durante nove meses, não pode enfrentar sozinha o momento decisivo. Estar por perto, mesmo dando apenas um apoio moral, é o mínimo que se pode fazer.
No meu caso, foi tudo muito rápido. Sequer deu tempo de “marear” com o sangue, instrumentos cirúrgicos e outros desconfortos do ambiente hospitalar. Na memória, ficou uma coleção de flashes do grande dia. A corrida para a maternidade. A notícia de que a Cecília teria de nascer por meio de uma cesariana. O kit com touca, máscara e avental. As fotografias desajeitadas. O primeiro – e revelador – encontro com o bebê.
Mas tudo será diferente em fevereiro do ano que vem. Cecília ganhará um irmão (ou irmã, ainda não sabemos) e, dessa vez, estarei mais esperto e preparado para absorver cada minuto do processo. Não há dúvidas de que ficarei por perto, dando aquele apoio moral e recebendo pessoalmente o novo filhote. Se navegar na surpresa é bom, conhecer o caminho pode ser ainda melhor.
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