No mínimo irônico. Curitiba, a capital ecológica é também a mais motorizada do país. Estimativas do Detran indicam que a cidade deve atingir a marca de um milhão de veículos até o fim do mês.
Dezenas de obras estão sendo realizadas para melhorar o fluxo de veículos, mas além de melhorar a vida dos motoristas, também é preciso incentivar e criar condições favoráveis para o uso de meios de transporte alternativos.
Os automóveis estão cada vez mais acessíveis. Os juros cobrados nos financiamentos muitas vezes não chegam a 1% ao mês e o valor total pode ser dividido em até 60 vezes. Manter este mesmo carro, porém, pode provocar um rombo no orçamento. Além do valor do automóvel, há os gastos fixos com o pagamento de seguro anual, IPVA, combustível, estacionamento, reparos…
Substituir os veículos motorizados por outros meios não faz bem apenas ao bolso, mas também à saúde e ao meio ambiente. O consultor ambiental Ulrich Jäger alerta, entretanto, para o fato de que ainda não existem condições ideais para pedestres e ciclistas.
“Os mais de 116 quilômetros de ciclovias não atendem às necessidades de quem usa a bicicleta como meio de transporte. As pistas não chegam até o Centro, foram planejadas para o lazer”, conta.
As calçadas também são alvo de críticas. Buracos, pedras soltas e a falta de planura são os maiores problemas. “Em muitos bairros da periferia, nem existe calçada. Os pedestres precisam disputar espaço com os carros.”
A coordenadora do núcleo de educação e cidadania do Diretran, Maura Moro, acredita que a população precisa assumir a sua responsabilidade diante do problema. “Cada um tem que fazer a sua parte. Todos reclamam do trânsito, mas o que você está fazendo para reduzir o número de carros nas ruas?”, questiona.
Consciência ecológica e cidadania não parecem ser suficientes para convencer alguém a trocar o conforto de seu automóvel para ficar 30 minutos esperando o ônibus chegar e viajar espremido no meio de dezenas de pessoas.
“Integração de linhas e frota moderna não são suficientes para seduzir os motoristas. Transporte modelo é achar lugar para sentar às seis da tarde”, opina Jäger.
O engenheiro do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (Ippuc) José Álvaro Twardowski, coordenador do programa CirculAção, afirma que vários projetos estão em andamento para tornar a cidade mais acessível aos adeptos da mobilidade sustentável. Entre eles, um plano-diretor que pretende estender a rede cicloviária para todos os bairros.
As calçadas também estão sendo renovadas onde são feitas obras de restauração de vias. “São antiderrapantes, planas e estão de acordo com as normas da ABNT, do Estatuto do Idoso e da Lei de Acessibilidade a portadores de deficiência.”
O transporte coletivo continua em constante renovação. A implantação do metrô em Curitiba parece inevitável e está prevista para daqui a dez anos. Mas assim como este projeto, muitos outros ainda estão no papel. Espera-se que sejam colocadas em prática o quanto antes.
Serviço: Ulrich Jäger (consultor ambiental), fone (41) 9607-0222 / Tecnodata, fone (41) 3361-1800 e site www.tecnodatacfc.com.br.
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Colunistas
Agenda
Animal


