Comportamento

Uma moda não tão nova assim

Adriano Justino
08/07/2007 04:27


Muitas tribos da região amazônica utilizam alargadores como os Assurinis…
O mestre em Antropologia Social e doutorando em Ciências Sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Camilo Albuquerque de Braz, estuda a modificação corporal (body modification) que pode ser conseguida com o uso de certos tipos de piercings e alargadores, por exemplo. Ele passou a se interessar pelo movimento quando procurava um tema para fazer seu projeto de mestrado.
Com o assunto na cabeça, quis fazer uma tatuagem. “A experiência de me tatuar me permitiu utilizar meu próprio corpo como metodologia de pesquisa”, conta.
Braz explica que o movimento da modificação corporal foi buscar inspiração nos povos tribais. Os índios caiapós podem ser considerados uma dessas culturas no Brasil. Eles costumavam usar alargadores nas orelhas e queixo, acessórios que, segundo sua crença, auxiliavam a falar e ouvir melhor.
Na cultura urbana, a arte de modificar o corpo surgiu nos Estados Unidos na década de 1970. “Para alguns, ser modificado significa destacar-se na multidão. Para outros, trata-se de transformar o corpo em sua própria obra de arte. O que parece estar em jogo é sempre a construção de uma identidade individual.”
Mas o que surgiu com o objetivo de diferenciar as pessoas foi absorvido pela moda e se popularizou. Com isso, as pessoas que realmente querem ser diferentes, passam a procurar novas técnicas menos convencionais. “É um universo em que a criatividade atua o tempo inteiro”, afirma Braz.
Há pessoas que saem ganhando com a popularização desses acessórios como o fabricante de alargadores Tony Ferrarezi. Segundo ele, sua fábrica, que tem três anos, é uma das maiores do Brasil. Tony conta que passou a fabricar os produtos porque era usuário, portanto conhecia o gosto do público. Hoje ele trabalha com alargadores de até 40 milímetros de diâmetro e faz peças exclusivas por encomenda.
Ele não vê com maus olhos a popularização dessa interferência corporal, só reclama dos profissionais pouco preparados que usam matérias-primas de baixa qualidade para baratear o produto. “Tem gente fazendo até com Durepox (massa epóxi)”. Segundo Ferrarezi, produtos inadequados podem causar alergia e inflamações.