Marcele Brambila, 31 anos, trabalha há pouco mais de cinco anos como motorista de carga, mas já viveu muitas aventuras. “Meu caminhão já quebrou no meio de uma reserva indígena, já me perdi em uma favela de São Paulo, mas dirigir é o que eu quero desde que me entendo por gente. Adoro conhecer lugares diferentes, fazer amizades. É tudo de bom”, conta a caminhoneira, que transporta peças automotivas.
Mas antes de conseguir se firmar na profissão, Marcele teve de penar muito para conseguir realizar o seu sonho. “Há 10 anos, eu limpava os banheiros de uma boate. Uma dia, o meu patrão me obrigou a limpar as fezes com as minhas próprias mãos. Aquilo foi a gota d’água. Vendi as minhas coisas, peguei dinheiro emprestado para aprender a dirigir e tirar carteira. Hoje me sinto realizada, o próximo passo é juntar dinheiro para comprar o meu próprio caminhão.”
Marcele diz que a estrada é o único lugar no mundo em que se sente realmente livre. A única coisa que incomoda é ficar longe da família. “Bate uma saudade danada. A minha mãe me liga a cada dez minutos. Ela é muito preocupada, mas não reclama, me dá muito apoio. Aliás, quer viajar comigo, é outra cigana”, brinca.
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