A empresária Rossana Lazzarotto de Oliveira não tem nada das senhorinhas de meia-idade do passado. Loura, bronzeada, veste-se com as últimas tendências de moda, peças vez ou outra trocadas com a filha. Ninguém melhor do que ela para constatar: o mundo e a sociedade mudaram muito. E com isso a forma com que encaramos a passagem do tempo.
Há três anos, pesquisadores do instituto britânico Future Foundation se debruçaram sobre a questão: por que os cinquentões se comportam atualmente como os jovens na faixa dos 25 se comportavam há meio século atrás? Constataram que, embora todo mundo tenha tido seu estilo de vida mudado nas últimas décadas, as maiores transformações demográficas e sociais aconteceram justamente com quem está hoje na faixa dos 50 anos. É essa geração que assistiu de perto à criação da televisão, à revolução sexual provocada pela criação da pílula anticoncepcional, ao discurso hippie de paz, amor e sexo livre. Segundo o geriatra Patrick Alexsander Wachholz, da Paraná Clínicas, esse grupo viu o rompimento dos antigos padrões e o nascimento da era da individualização. “Se antes, no tempo das grandes guerras, as pessoas se preocupavam com o coletivo e o destino da humanidade, nesta época fica clara a preocupação com o suprimento das necessidades e o crescimento individual. Isso tornou as pessoas mais livres para seguirem seus caminhos”, diz ele.
Para Simone Meucci, professora de Sociologia das universidades Positivo e Federal do Paraná, esta é a primeira geração que chega à maturidade da chamada juventude tardia. São pessoas que, segundo ela, tiveram o aval das transformações promovidas pela contra-cultura, a ajuda da tecnologia – que inventou boas tintas de cabelos, cremes, intervenções cirúrgicas e novos remédios – e que conquistaram segurança financeira para adotar um novo tipo de comportamento. “Eles vivem a extensão da juventude, enquanto a adolescência se prolonga para além dos 30 anos. Viramos jovens adultos pelo menos até os 60 e começamos a admitir a hipótese da velhice lá pelos 90.” Exagero? Não se você pensar em Madonna, a cinquentona mais badalada do mundo pop.
Eu comigo mesmo
Nos anos 50, surgiu o conceito do capital humano. Quem nasceu naquela época passou a se considerar uma unidade de investimento. Ou seja, passamos a valer também pelo quanto investimos em nós mesmos: estudo, viagens, academia, massagens, cirurgias plásticas. “Manter-se jovem para o sexo oposto, para o trabalho, para os amigos tornou-se importante. O mercado se voltou a este público que normalmente tem uma renda estável e tempo para gastar dinheiro. E as crianças, que também viraram unidades de investimento, passaram a ser programadas para mais tarde, quando houvesse alguma infraestrutura para ser assim também”, diz Simone. Ela faz a ressalva: estas mudanças não seguem o mesmo padrão nas classes mais pobres, em que as pessoas não têm como investir tanto em si mesmas.
Bem-resolvida
“Você quer saber da verdade? Eu acho é que a vida começa mesmo aos 50 anos”, comenta Rossana Lazzarotto, relatando a lista de planos a curtíssimo prazo: “Quero expandir minha empresa de eventos especiais para São Paulo e para Dubai. Tenho a ideia de passar uma semana sozinha, me bronzeando numa ilha particular na França e ainda fazer uma viagem com meus dois filhos e meu marido para um lugar com neve”. Para quem anda mentindo a idade por aí, ela dá dois conselhos: “Pessoas felizes e transparentes não envelhecem. Afinal, os outros têm de gostar de você pelo que você é e não pela idade que tem. Acho que as mulheres deveriam casar com homens pelo menos 10 anos mais jovens. Este não é o meu caso, mas acho que vale experimentar”.
A explicação para estar melhor hoje do que aos 15, 20 anos, Rossana encontra na tranquilidade que veio com o tempo. “Tenho mais experiência de vida, mais cultura e uma leveza que me permite ficar bem com a minha idade, meu corpo, meu rosto, meu trabalho”, diz.
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