Moda e beleza

A garantia soy yo!

Larissa Jedyn
19/11/2006 23:27
larissa@gazetadopovo.com.br
Deve ser uma característica daquelas gravadas no DNA feminino: nossos olhos brilham diante de uma receitinha infalível para deixar a pele, o cabelo ou qualquer coisa “mais bonita”. Só que à mesma medida que somos assumidamente vaidosas, somos outro tanto “kamikazes”. Ou você nunca tentou alguma coisa que não só não deu certo, como a fez jurar não experimentar nada mais sozinha e deixar esses cuidados nas mãos de especialistas em estética?
Enquanto a experiência se resume a lambuzar o corpo com colheradas de mel, nenhum problema. Mas você pode usar esse mesmo mel – só que daqueles bem açucarados – para realizar uma esfoliação e acabar com a pele machucada. A receita de peeling natural de açúcar, mel, limão e sementes de tamarindos, cuja garantia é a palavra da vizinha, amiga ou tia, pode virar um pesadelo: “Para se ter idéia, o açúcar pode ser absorvido pela pele e complicar um quadro de diabetes, ou, por ser hipertônico, remover a água da pele causando sua desidratação. O limão contém substâncias fotoativas que podem interagir com o sol e fazer bolhas, vesículas e queimaduras. Todos componentes que apontam para uma foto dermatite grave. As pequeninas sementes, areia ou partículas abrasivas, sejam do que for, podem penetrar em poros muito abertos de glândulas sebáceas causando retenção de sua secreção e inflamação”, alerta o dermatologista Ulisses Misima Ribeiro.
A ciência se vale de muitos desses ingredientes na indústria cosmética. Mas leva décadas para aprimorar produtos com finalidade específica e o mínimo de efeitos colaterais. Ou seja, algum princípio benéfico eles têm, o problema de se fazer isso em casa, segundo a dermatologista Maria Helena Amorim, é saber a medida e a forma que devem ser manipulados para que façam algum efeito – positivo.
Óleo de amêndoas, por exemplo, pode ser maravilhoso, desde que você não resolva aplicá-lo sobre a pele antes de se expor ao sol. Muito menos se for sol do meio dia, como fez a professora de natação Bianca Caprilhone quando tinha 15 anos. “É o tempo de se fazer isso… Você não tem dinheiro, normalmente não trabalha, está com a vaidade aflorada e certamente vai aparecer alguém que jura ter experimentado a receita e o efeito ter sido ‘es-pe-ta-cu-lar’”, diz. Bianca lembra que usou a fórmula feita de beterraba ralada (“Não dizem que ela ajuda a dar cor à pele?”) e óleo de amêndoas por três dias. “Fritei no sol e no lugar de ‘o’ bronzeado, consegui ‘a’ mancha.”
Essa lição, diz, ela garante que aprendeu. Mas a moça, hoje com 28 anos, não abre mão de passar suas madeixas encaracoladas a ferro. Isso mesmo, ainda hoje, no tempo das chapinhas e escovas progressivas, temporárias, francesas, japonesas e afins, ela ainda deita a cabeça na tábua de passar roupa. “O efeito é maravilhoso. Parece que eu fiz chapinha e escova juntas”, conta Bianca, revelando, meio a contragosto, que já queimou o couro cabeludo com o vapor do ferro. “É melhor fazer com ferro que não tenha vapor, com temperatura bem baixinha. Ah, e pode passar direto no cabelo mesmo”, ensina.