Você acorda no maior astral, vai escovar os dentes e lá está ela. A partir daí, quando olha no espelho, é só o que enxerga: a espinha parece chegar antes e você imagina que todo mundo vê o mesmo. “Por que raios ainda pareço um adolescente se já passei dos 30?”, se pergunta.
A espinha tardia acomete mais as mulheres – muitas que nem tiveram acne na adolescência –, mas pode afetar também aos homens, normalmente os que sempre tiveram o problema. Os hormônios, claro, são os principais vilões de uma pele lisinha. “Os ovários policísticos – um mal funcionamento deles – levam a um excesso do efeito dos hormônios masculinos e portanto, aumenta a secreção sebácea na face e no couro cabeludo”, explica a dermatologista Annia Cordeiro Lourenço. “Outras mulheres têm funcionamento normal dos ovários, mas ocorre o que chamamos hiperandrogenismo periférico: os receptores de hormônios da pele tornam-se mais sensíveis, por uma predisposição pessoal”, complementa.
Os anticoncepcionais também têm sua participação na doença, para o bem e para o mal. As pílulas com hormônios masculinos na fórmula costumam melhorar a pele, já as de uso contínuo e que contêm apenas progesterona podem piorá-la. Mesmo as “boas” podem resultar em acne após sua suspensão. “Como durante o uso da pílula a produção de hormônios é baixíssima, ao suspender, há um maior estímulo da pele pelos hormônios produzidos pelos ovários quando voltam a funcionar.”
Além do anticoncepcional, o dermatologista Ulisses Misima Ribeiro destaca que há fatores que podem desencadear ou agravar a acne, como estresse elevado – que aumenta a secreção sebácea da pele –, uso de cremes ou protetores solares inadequados para uma pele oleosa, contato no meio ambiente com poluição, gorduras, oléos que podem estar dispersos no ambiente de trabalho e algumas maquiagens. “A alimentação não tem grande influência no quadro, mas certos alimentos podem estimular a secreção sebácea em algumas pessoas”, diz.
Para Annia, a melhor maneira de prevenir as formas mais graves de acne – que podem deixar cicatrizes irreversíveis – é tratar todos os graus da doença, mesmo os mais leves, em todas as idades.
Graus e tratamentos
• A dermatologista Annia Cordeiro Lourenço destaca que limpar a pele faz parte de qualquer tratamento de acne, para remover o excesso de sebo produzido, pois sempre há um excesso de secreção sebácea na pele acneica. Essa limpeza nunca deve ser excessiva, com muito sabão ou loção rica em álcool, nem mesmo com esponjas. O ideal é um sabonete líquido, gel ou mesmo sabonete barra que tenha um PH compatível com o da pele (ao redor de 5, ou PH fisiológico).
• Limpeza de pele em esteticista é recomendada para remoção dos cravos (comedões). Se não houver, não é preciso.
• Acne de grau 1: tem apenas cravos, sem inflamação.
• Tratamento em casa: tópico com retinóides (derivados da vitamina A, como o ácido retinóico) ou ácido salicílico, filtro solar gel ou oil free e sabonete.
• Tratamento na clínica: limpeza de pele, peelings de ácido salicílico ou retinóico.
• Grau 2: cravos e algumas pústulas (bolinhas de pus, amarelas).
Tratamento em casa: com o mesmo ácido retinóico e/ou associação com antibióticos e peróxido em gel, sabonete e filtro solar em gel ou loção oil free.
• Tratamento na clínica: peelings de ácido salicílico e Leds (luz emitida por diodos, ou terapia fotodinâmica) de luz azul, vermelha e infra-vermelha, feito com um aparelho que emite luz, reduzindo a inflamação muito mais rapidamente, fechando os poros e facilitando a cicatrização.
• Grau 3: cravos, pústulas e bolinhas internas e vermelhas, chamadas cistos.
• Tratamento em casa: antibiótico oral mais os tratamentos do grau 2. Há a opção de isotretinoína via oral, um medicamento derivado da vitamina A, que atrofia a glândula sebácea, reduz a inflamação, reorganiza a pele e pode curar definitivamente.
• Tratamento na clínica: o tratamento com Leds vem sendo bastante usado nos casos que requerem isotretinoína oral, pois no primeiro mês pode haver exacerbação do quadro, com piora da inflamação.
• Grau 4: forma mais grave, com muitos cistos, fístulas e abscessos (como se várias bolinhas internas de pus se juntassem formando enormes bolas de pus que se comunicam, pelas fístulas, deixando cicatrizes grandes, extensas e fundas.
• Tratamento: igual ao grau 3.
• Grau 5 (acne fulminans): é rara e mais grave que a anterior, acompanhada de febre, dores nas articulações, sangramento e necrose (morte do tecido) em algumas áreas da pele.
• Tratamento: igual aos graus 3 e 4, mais corticóides. Às vezes requer internação.
Serviço: Annia Cordeiro Lourenço (dermatologista), fone (41) 3026-1790.
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